Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Coletivo

14
Dez18

A verdade sobre o caso Canastrão Quebert

Francisco Chaveiro Reis

Blog_HarryQuebert2.jpg

Nunca seria fácil adaptar ao ecrã (pequeno, no caso), o brilhante “A verdade sobre o caso Harry Quebert” do suíço Joel Dicker. Trata-se da história de amor de um escritor de sucesso e de uma jovem de 15 anos que acaba desaparecida. O seu corpo é encontrado na propriedade do amante muitos anos depois e este é acusado de homicídio. É nesta altura que o seu protegido e também escritor de sucesso, Marcus Goldman, vai em seu auxílio, tentando provar a inocência de Harry Quebert.

Em série a ser exibida na AMC, Patrick Dempsey, eterno Senhor Anatomia de Grey, faz de Harry, sem grande sucesso. Se na juventude, exibe o seu habitual canastrismo e olhar perdido, na velhice, quando está preso, a nossa atenção vai apenas para a má caraterização. Dempsey não está à altura de Quebert, que transforma num galã de meia tijela que não faz jus à personagem complexa que se deixa tentar por uma Lolita de bom fundo. Essa Lolita, a norueguesa Kristine Froseth, parece ser das poucas a prestar homenagem a Dicker, apresentando-se com a luz própria e personalidade vivaça mas atormentada que se atribui a Nola.

Pior do que Quebert, só Ben Schnetzer como Marcus Goldman. Como se escreve e bem na NiT, a sua apresentação ao público é superficial, cheia de clichés e “a narração em voz off faz lembrar um telefilme de qualidade duvidosa dos anos 90”. Schnetzer consegue ser mais canastrão do que Dempsey e assim se estragam duas personagens centrais e uma série. Ainda assim, para quem não sabe o final, a série merece uma espreitadela porque, lá está, a história é boa mas não merecia estas interpretações ou esta cor-de-rosização da vila onde tem lugar. Nunca seria fácil.

 

19
Nov18

Narcos invade o México

Francisco Chaveiro Reis

narcosmexico.jpg

É muito difícil lutar contra as primeiras temporadas de Narcos e contra a brilhante interpretação de Wagner Moura como Pablo Escobar mas se esquecermos (e não é fácil porque o próprio Wagner/Pablo fazem uma perninha) a herança, Narcos: México é uma ótima série e Diego Luna, que também já tem algum currículo, é um excelente Miguel Angel Felix Gallardo. Corre bem a passagem de Medellín e Cali para Sinaloa onde encontramos Gallardo como um modesto polícia que aproveita a destruição do exercito mexicano às colheitas de marijuana para apontar o caminho ao chefão local da droga. E o caminho é deslocalizar o negócio para Guadalajara, fundar um cartel (nunca antes visto) e, claro, olear as melhores rotas para distribuir marijuana e mais tarde, cocaína. O caminho ascendente de Gallardo é feito de golpes palacianos, subornos, acordos e muita subtilleza ao contrário do caminho de ira e emoção que vimos em Escóbar. Do outro lado, apesar de se manter a narração de Boyd Hoolbrook, o polícia herói é Michael Peña como Kiki Camarasa, agente da DEA em busca de ação e ascenção na carreira. Sabemos que vem aí mais mas esta primeira fase da encarnação mexicana cumpre bem o seu papel. 

11
Nov18

Humor viking

Francisco Chaveiro Reis

Norsemen-on-Netflix-1518872.jpg

Norsemen é provavelmente a série mais original sobre o mundo dos vikings. Com um humor no-sense, acompanha o dia-a-dia da pequena aldeia norueguesa de Norheim e as suas lutas pelo poder, casos amorosos ou necessidade constante de pilhar e invadir. No centro está Orm (Kare Conradi), o cobarde irmão do chefe, que ficou a tomar conta da aldeia enquanto que o irmão, os guerreiros mais corajosos e até a sua própria mulher foram para fora em busca de riquezas. Com a misteriosa morte do chefe da aldeia, Orm e Arvid (Nils Jorgen Kaalstad), um bruto de bom coração, disputam o trono, enquanto novos perigos espreitam como o genial vilão, Conde Jarl Varg (Jon Oigarden). Um achado, consumido em pouquíssimos dias.  

04
Nov18

Sustos do passado - A Maldição de Hill House

Francisco Chaveiro Reis

21222849_2hgua.png

A maldição de Hill House é uma das melhores séries dos últimos anos. Para isso contribui o que é da praxe: uma boa história central que nos deixa agarrados, pequenas histórias adjacentes que fazem as personagens crescer, um criador e realizador de mão cheia e um elenco de grande qualidade. A maldição de Hill House é uma das melhores séries dos últimos anos. E é-o num género que eu nem aprecio. O terror. Mas o bom terror é mais sobre a expectativa do que aquela ansiedade básica que nos faz saltar de x em x minutos. Confesso que não gosto. Em Hill House não faltam fantasmas nem sustos ocasionais mas o que nos interessa é a forma como os pontos se ligam entre o passado e o presente. No presente, mais ou menos em 2018, acompanhamos uma família destruída por um acontecimento do passado. Percebemos que há cinco irmãos sem mãe e com um pai distante. Os cinco incluem Steve (Michiel Huisman), um bem-sucedido autor de livros de terror, mesmo sendo cético quanto ao tema; Shirley (Elizabeth Reaser), dona de uma casa mortuária e parte integrante de uma família própria que parece feliz; Theo (Kate Siegel), a irmã do meio que tem sensibilidade para os mortos e os gémeos Luke (Oliver Jackson-Cohen), drogado e Nell (Victoria Pedretti), atormentada. No passado, há quase 30 anos, a mesma família mas com mãe, pai ausente e cinco filhos felizes, chegou a uma mansão vitoriana no campo norte-americano. A ideia da mãe e do pai era fazer como noutras casas velhas e restaura-la para a vender por boa massa. Depois disso, poderiam viver numa “forever house”. Não chega a acontecer. Com saltos ao presente, percebemos que a vida não correu como esperado a ninguém e que aquele verão maldito terá sido a causa de tudo. Os saltos ao passado mostram fantasmas e estranhos acontecimentos que culminam numa noite em que a mãe desaparece e o pai aparece ensanguentado. O que se passou? É a pergunta que perseguimos.