Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Coletivo

14
Jan19

O futuro do PSD

A woman in politics

O Conselho Nacional que decidirá o futuro da liderança do PSD está marcado para a próxima quinta-feira, dia 17 de janeiro, no Porto.

O que estará em causa nesse Conselho? Se a moção de confiança apresentada pelos defensores do Rio for aprovada, Rui Rio sairá com uma liderança reforçada e com novo fôlego para as eleições que se avizinham. O número de dissidentes para o Aliança aumentará, mas isso já será assunto para outro post.

Por outro lado, se a moção de confiança for rejeitada, passa-se para eleições diretas no partido. Pairará a dúvida se Rio se apresentará a eleições, e quais os rostos para além de Montenegro que se chegarão à frente.

Para já, a votação no Conselho Nacional não estará facilitada para Luís Montenegro, que já colocou a fasquia baixa “A minha praia não é o Conselho Nacional do PSD. Nunca esteve nos meus planos apresentar uma moção de censura (...) a minha opção sempre foi ouvir todos os militantes”.

O facto de o voto ser ou não secreto será fundamental para a dita votação, o que em boa verdade, já nos mostra o “modus operandi” dos partidos nos dias de hoje.

 

 

18
Dez18

A greve dos enfermeiros e os sindicatos

João Ferreira Dias

As greves constituem-se mecanismos legais (agora, e por agora) de garante da luta sindical por melhores condições laborais por parte de vários setores profissionais. É uma ferramenta político-social de largo impacto no quotidiano, em particular quando a greve advém de setores que interferem, diretamente, no fluxo diário da sociedade, como é o caso dos transportes públicos. A sua eficácia depende, precisamente, do poder de desestabilizar a ordem social. 

Ora, o problema das greves, ou melhor, dos sindicatos, é a forma como estes estão permeáveis à influência partidária. Nesse capítulo, o PCP é o partido cuja força eleitoral depende, sobremaneira, dos movimentos sindicais. Não é por acaso que a estrutura destes é controlada por militantes comunistas, os quais estabelecem um rácio de não-militantes que podem ocupar cargos diretivos dos sindicatos. Não sendo uma desonestidade, por razões históricas ligadas à emergência do PCP, a verdade é que se trata de um controlo sobre os sindicatos que lhes retira mobilidade ideológica. É por isso que as greves ocorrem em momentos estratégicos para a vida eleitoral, porque são o garante da existência sociológica do PCP, razão pela qual a aliança Sindicatos-PCP é tão forte e determinante na vida comum. 

A presente greve dos enfermeiros contém os mesmos contornos, tratando-se da primeira greve e primeiro movimento sindical umbiligado à direita, concretamente ao PSD. Ora, só esse facto diz muito do contexto desta greve, numa altura em que a maioria das reivindicações dos enfermeiros portugueses (que, reconheça-se, têm condições laborais muito precárias quando comparados com outros países europeus; todavia, o mesmo acontece com outras profissões) foram já suprimidas. Nesse sentido, encontramos um processo de aproveitamento estratégico e eleitoral do PSD, que ao estar em risco de desagregação encontra nos processos de sobrevivência do PCP uma possibilidade de galvanização de uma franja profissional e eleitoral.  A situação particular dos enfermeiros e a névoa dúbia que comporta é reforçada pelo financiamento. Pela primeira vez, uma greve é financiada em sistema de crowdfunding, tornando-se um processo anónimo que permite camuflar interesses políticos subjacentes. O cenário, portanto, não é transparente nem simpático. No meio da legitima luta seria ideal despartidarizar os sindicatos. Digo eu. 

01
Dez18

O PSD, a ética e as trapalhadas

A woman in politics

Dizia Silvano ao DN que Rui Rio não fazia milagres [a propósito das sondagens pouco animadoras do PSD], reforçando a mensagem de que o líder era uma pessoa eticamente intocável, pois com os tumultos que existiam dentro do partido, se houvesse algo cabeludo já se saberia.

Uma análise um pouco arriscada, como se comprova agora...

O Expresso avança com a notícia que já se sabe há algum tempo, mas que só esta semana começou a sair. Talvez estivessem à espera do timing certo, digo eu.

Ao que foi transmitido, existem alegadamente indícios de que Rui Rio esteve envolvido numa trapalhada que implica a escarpa da Arrábida e terrenos do Parque da Cidade, aquando da sua passagem pela Câmara Municipal do Porto.

Rio sacode a água do capote e atira que essas questões devem “ser colocadas junto dos vereadores que tiveram responsabilidade na área do urbanismo, já que enquanto presidente da Câmara nunca interferia na gestão corrente dos dossiês que não estivessem sob a sua direta responsabilidade”.

Como podem ver, esta “questiúncula” não foi negada pelo líder do PSD.

Para além de poder criar mais uma mancha na ética dos laranjas, sabem o que é mais caricato no meio disto tudo?

A Comissão Eventual de Inquérito que analisa a legalidade da construção na escarpa da Arrábida foi inicialmente sugerida pelo PSD com o intuito de atacar Rui Moreira com o caso Selminho. Acontece que, entretanto, o foco principal das investigações alterou-se...

E já agora também pergunto, quem é que Rio apoiou na autárquicas de 2013?

Pois. Só me ocorre: “Karma is a bitch”