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O Coletivo

11
Jun19

O discurso de João Miguel Tavares

João Ferreira Dias

O cinismo que JMT levanta no seu discurso, enquanto património de uma ideia de racionalidade, está bem patente nas críticas que lhe são dirigidas. Temos este terrível hábito de criticar como ato de afirmação de superioridade intelectual. É preciso perceber que JMT tinha esta oportunidade única de discursar num 10 de Junho, que era preciso ser crítico, que era preciso, também, ter algo de emocional e arrebatador. JMT não foi populista, no meu entender. JMT tentou ter o seu momento Braveheart de exaltação do cidadão anónimo enquanto exortava os políticos a serem melhores. Terá agradado a uns e desagradado a outros. É natural. Mas não creio que tenha proferido um discurso exclusivamente a partir de um lugar de conforto da classe média sem olhar aos demais.

27
Jan19

A Ofensa

Orlando Figueiredo

Marcelo Rebelo de Sousa regressou triunfante da sua viagem ao Panamá trazendo a “boa nova” de que as Jornadas Mundiais da Juventude de 2022 serão em Lisboa. Dado que a viagem foi anunciada na página da presidência da República (ver aqui)  e que, hoje mesmo, foi emitido um comunicado onde se afirma que o Presidente da República se congratula “com anúncio oficial de que Portugal acolherá as próximas Jornadas Mundiais da Juventude” (ver aqui), devo necessariamente assumir o caráter institucional da situação e expressar veemente o meu repúdio.

Tivesse a viagem sido a título particular, e a única nota que me mereceria seria o lamento de ter como Presidente da República um beato que se curva perante o papa e lhe beija a mão. Tendo assumido tal comportamento em representação da República e dos portugueses, revela incompetência e desrespeito pelos cidadãos que não se reveem na fé proferida pelo presidente.

Mas Marcelo é um reincidente. Já em outubro de 2017, pela ocasião da visita do “revelado” representante de deus no mundo às miraculosas terras de Fátima, Marcelo Rebelo de Sousa humilhou Portugal e os portugueses ao curvar-se perante o papa e a igreja. Nessa altura, Marcelo afirmou, abusivamente, que "Fátima é projeção de Portugal no Mundo e do Mundo em Portugal". Triste seria, se assim o fosse. Felizmente há muitas outras coisas que Portugal e os portugueses podem usar como cartão de visita no mundo sem ter de recorrer ao odor a mofo das sacristias.

Que Marcelo opte, individualmente, por se deixar levar pelos bigotismos quiméricos do catolicismo, é a meu ver lamentável, como já tive oportunidade de referir. Mas apenas isso: lamentável.

Que, enquanto presidente da República, se curve e ajoelhe perante o clero de qualquer religião é desrespeitador do cargo que ocupa, de Portugal, dos portugueses e da Constituição que jurou defender. Marcelo não foi eleito ministro da igreja, mas presidente de uma República laica e religiosamente neutra como afirma a Constituição. Os portugueses, não são (apesar de, obviamente e infelizmente, os haver) um bando de beatos acríticos e não merecem tal ofensa.

Aprume-se, senhor presidente! Endireite a coluna vertebral e faça-se digno do cargo que ocupa e da Constituição que jurou defender!!