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O Coletivo

10
Abr19

Habemus um novo partido político

A woman in politics

Foi hoje avançado pela imprensa e já confirmado por André Ventura (nas suas redes sociais) a aceitação por parte do Tribunal Constitucional do novo partido político "Chega". Passam, assim, a existir 24 partidos políticos legalizados em Portugal.

 

No entanto, ainda não se sabe se o Partido Chega irá concorrer às eleições Europeias, porque quase, de forma simultânea, o Tribunal Constitucional rejeitara a coligação “Europa Chega”, que juntava o movimento Chega (que ainda não era partido), o Partido Popular Monárquico e o Partido Cidadania e Democracia Cristã. O Partido Chega podia concorrer (após a aceitação sair em DR), mas como o prazo para a entrega da lista de candidatos às Europeias termina na próxima semana, seria uma corrida em contra-relógio.

 

Tic tac...

 

12
Mar19

A semana que decide o Brexit

A woman in politics

A data oficial do Brexit é a 29 de março e o que acontecerá até lá será puro entretenimento para os amantes de política (à falta de melhor descrição).

Esta semana, mais concretamente, será pródiga em acontecimentos. Vejamos.

Hoje foi votado o novo acordo de Theresa May, e caso fosse aprovado, a saída do Reino Unido da UE dar-se-ia dentro do previsto. Contudo, já sabemos que o acordo foi votado e foi rejeitado, e passamos então à fase de votação relativa a uma saída sem acordo.

Essa votação ocorrerá amanhã (13 de março) e caso seja aprovada os britânicos sairão de facto a 29 de março (embora sem acordo), e navegarão por águas mais turvas do que se previa.

Por outro lado, se for rejeitada passamos à fase de votação, que ocorrerá a 14 de março, para adiamento do Brexit. Novamente, se a votação for rejeitada há uma saída a 29 de março (sem acordo), e se for aprovada o Brexit será adiado...

Para quando e com que propósito é o que falta saber. Mas nem os britânicos sabem...

 

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01
Mar19

Carnaval, what else?

A woman in politics

Vem aí o fim de semana de Carnaval e vamos lá estereotipar um pouco.

 

Há 3 tipos clássicos de pessoas no Carnaval. 1) As que vão de férias para o estrangeiro e partilham 1001 fotos para assegurar que toda a gente sabe (e continuam a postar mesmo quando chegam de férias não vá alguém não ter visto). 2) As que passam um ano inteiro a pensar no que vão vestir nesta data, mas mesmo assim é inevitável, os homens acabam quase sempre por vestir-se de mulheres (a quem possa interessar a moda este ano parece que são os macacões vermelhos e máscara da La Casa de Papel). 3) As que aproveitam para usufruir da arte de nada fazer (verdadeiros especialistas em “couch potato”).

 

Bem meus caros... Gostaria de informar que o meu Carnaval é muitíssimo interessante... Mas, não. Faço mesmo parte do terceiro grupo.

 

Se fazem parte da minha tribo, e gostam minimamente de política, recomendo-vos o filme Vice de Adam McKay, com Christian Bale, Steve Carell, Amy Adams e Sam Rockwell nos principais papéis.

 

O filme retrata a história de Dick Cheney, vice-presidente de Geoge W. Bush, e para resumir, o tipo é um mafioso, e Christian Bale um monstro da representação. Eis o trailer:

 

 

28
Fev19

O Governo e as relações familiares

A woman in politics

Ainda a propósito do tema quente sobre as nomeações do Governo que envolvem familiares, recomendo a leitura de um artigo de opinião do Luís Aguiar-Conraria para o Público. Eis um trecho:

 

“Desde o início, chocou-me que neste Governo se tivesse marido e mulher como ministros e uma secretária de Estado filha de um outro ministro. Com a promoção de Mariana Vieira da Silva a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, a polémica estalou. Qual é o problema? Esta foi a pergunta que tantos fizeram perante as críticas. A resposta é simples: nomear governantes unidos por laços familiares facilita acusações de nepotismo, gera compadrio, cria um manancial de conflitos de interesses e facilita a corrupção.”

 

Podem continuar a ler aqui.

Da minha parte, nada a acrescentar.

04
Fev19

Ciências Sociais, o parente pobre da ciência

João Ferreira Dias

Em jeito de defesa pelas metas não cumpridas, afirma o Sr. Ministro da Ciência que em Portugal há já pleno emprego entre os doutorados e que é tempo de contratar doutorados estrangeiros. Não duvido da razoabilidade desta última afirmação nas áreas das engenharias. O problema é que o Sr. Ministro é um político, pelo que, nessa condição, não deve veicular cosmovisões próprias dos corredores do Instituto Superior Técnico, imaginando que a ciência se esgota nas paredes daquela instituição.

         Ora, este tipo de raciocínio inscreve-se num problema maior: o da perceção da utilidade da ciência e o da inscrição desta no quadro do capitalismo de mercado. A conversão da figura do investigador-doutorado em tarefeiro industrial ou empresarial não é uma solução que mantenha a ciência vitaminada nem é sustentável a longo prazo. À ciência não cabe apenas a solução da produção farmacêutica ou da execução tecnológica. É preciso que haja espaço para que a ciência seja ciência, isto é, que exista um campo de atuação da ciência como lugar de investigação e produção de conhecimento. Se isto é válido nas ditas ciências exatas, é gritante nas ciências sociais. Que espécie de executante ou tarefeiro pode ser um cientista social?

         São evidentes os efeitos económicos e políticos do paradigma de capitalismo de mercado vigente. O crescimento do populismo e da extrema-direita são reações políticas ao contexto global. Ora, o modelo político de natureza, chamemos-lhe, extremo-capitalista, tem efeitos na ciência, com a redução desta ao cálculo do lucro. As ciências sociais são, neste quadro, as mais visadas, pela sua incapacidade de gerar lucros diretos. A verdadeira “caça às bruxas” em todo o Ocidente tem tido forte reação do meio académico, mas em Portugal mantém-se um silêncio que não é um silêncio comprometido, mas de medo, de quem receia perder as últimas migalhas que são jogadas.

         A distração do tempo que vivemos pode licitar raciocínios deste tipo: “para que servem as ciências sociais?”. Mas porque motivo essa pergunta não é feita à investigação sobre as sociedades de formigas? Porque o entendimento das formas de organização das sociedades de formigas, ou outros animais, trazem novas formas de entender a organização social como princípio natural. Correto. Exatamente com as ciências sociais permitem entender as diferentes formas pelas quais as sociedades humanas, os grupos sociais mainstream e alternativos se organizam, as suas dinâmicas, lógicas discursivas, tipologias de linguagem, códigos de interação, ritos iniciáticos, de passagem, não-ditos sociais que configuram normas de socialização. O entendimento das diferentes tipologias sociais, dos múltiplos códigos de linguagem simbólica, religiosa, etc., são fundamentais para que teorias económicas ligadas aos comportamentos dos cidadãos possuam um elevado grau de aderência à realidade, para que não aconteçam casos como o do ex-ministro Vítor Gaspar, que afirmou não esperar que diante de políticas de austeridade houvesse uma contração do consumo.

         Políticas de inserção social, de combate à exclusão, medidas económicas, compreensão das dinâmicas do mercado de trabalho e do mercado de consumo, somente são possíveis graças às investigações das ciências sociais: a sociologia, a antropologia, a psicologia social, etc. Sem a ação das ciências sociais, dotadas de aparelho teórico produzido e depurado durante décadas, não é possível compreender e traduzir outras culturas, mudanças sociais em curso nas nossas próprias sociedades, entender os fenómenos sociais mais diversos. Sem a tradução das ciências sociais só sobram os discursos do racismo, da xenofobia, da homofobia, dos preconceitos vários. 

         Tudo isto para voltar ao princípio: é falsa a afirmação do Sr. Ministro. No que diz respeito ao emprego científico, quer na figura do investigador-doutorado quer do docente contratado, está tudo por fazer nas ciências sociais.

30
Jan19

A Ofendida

Orlando Figueiredo

Ainda a propósito do meu artigo A Ofensa, publicado no dia 27 de janeiro neste blogue, gostaria de acrescentar mais alguns aspetos que sustentam a minha posição de que o comportamento de Marcelo é ofensivo para os Portugueses.
Neto Moura é o juiz desembargador do Tribunal da Relação do Porto que, em outubro de 2017, redigiu um acórdão que atenuou a pena aplicada a um homem que agrediu a sua mulher de forma brutal e violenta, pelo facto de esta ter relações extraconjugais, ou, nas palavras do juiz, ser adúltera. No acórdão, Neto Moura sustenta-se na bíblia e no código penal de 1886, para justificar a sua posição (ambos, documentos contemporâneos e fiáveis, que, como bem sabemos, respeitam os Direitos Humanos e, em particular, os Direitos das Mulheres!) Saliente-se que, desde 1974, que o adultério deixou de ser considerado atenuante para crimes conjugais – a culpa é do 25 de Abril, claro. No acórdão (disponível aqui) pode ler-se:
“há sociedades em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte”, e que o adultério da mulher é “um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem”.
No dia 29 de janeiro, assistia ao 18|20 (o serviço noticioso da RTP3) quando me foram arremessadas as palavras sábias de Ricardo Serrano, advogado de defesa de Neto Moura, que passo a transcrever:
Censura-se um magistrado judicial por [ter feito] referências [a] expressões da bíblia. Mas, curiosamente, somos o mesmo país que temos o presidente [Minúscula minha, pois não me parece que este presidente o seja com maiúscula] da República que beija a mão ao papa ou ao bispo.
Julgo que fica bem evidente como o inaceitável comportamento de Marcelo é tudo menos neutro e que as consequências de ceder, por muito pouco que seja, ao patriarcado católico e aos absurdos religiosos, poderá ter consequências graves para uma sociedade democrática e igualitária.
Como em muitos outras situações em Portugal, a vítima foi a julgamento e considerada culpada. A vítima é, de facto, múltiplas vezes ofendida. Ofendida pelos agressores, ofendida pelo juiz, ofendida pelo advogado de defesa e ofendida por um presidente da República incapaz de separar os atos oficiais e o papel de representante dos Portugueses, das suas fantasias religiosas.

Ler mais sobre este assunto aqui.
 
 

20
Jan19

O genro de Jerónimo

João Ferreira Dias

O povo costuma dizer que quem anda a chuva molha-se, e se é verdade que um político não é responsável pelos atos de familiares, não é menos verdade que um contrato entre a câmara de Loures, de gestão comunista, e o genro do líder do PCP é motivo quanto-baste para torcer o nariz. O PCP reage voltando a foice à TVI, uma atitude descabida e apressada que não abona em favor do partido, particularmente quando é tão ávido de casos jornalísticos que evidenciem os males do capitalismo e dos demais partidos. No mundo da política tudo se move por esferas de interesses e há sempre uma mão amiga aqui e acolá. É o que Brasil se chama de fator "QI", isto é, "quem indica". 

Ora, isto lembra-nos que partidos hipermoralistas ficam à mercê dos acontecimentos, incapazes de contornar factos e pior, incapazes de fazer mea culpa ou ver mal em causa própria. Nada disto é simpático para o PCP e permite-nos teorizar que entre um comunista e um capitalista a diferença é a oportunidade. 

14
Jan19

O futuro do PSD

A woman in politics

O Conselho Nacional que decidirá o futuro da liderança do PSD está marcado para a próxima quinta-feira, dia 17 de janeiro, no Porto.

O que estará em causa nesse Conselho? Se a moção de confiança apresentada pelos defensores do Rio for aprovada, Rui Rio sairá com uma liderança reforçada e com novo fôlego para as eleições que se avizinham. O número de dissidentes para o Aliança aumentará, mas isso já será assunto para outro post.

Por outro lado, se a moção de confiança for rejeitada, passa-se para eleições diretas no partido. Pairará a dúvida se Rio se apresentará a eleições, e quais os rostos para além de Montenegro que se chegarão à frente.

Para já, a votação no Conselho Nacional não estará facilitada para Luís Montenegro, que já colocou a fasquia baixa “A minha praia não é o Conselho Nacional do PSD. Nunca esteve nos meus planos apresentar uma moção de censura (...) a minha opção sempre foi ouvir todos os militantes”.

O facto de o voto ser ou não secreto será fundamental para a dita votação, o que em boa verdade, já nos mostra o “modus operandi” dos partidos nos dias de hoje.

 

 

05
Jan19

A pouca Begonha da JS

João Ferreira Dias

À falta de outra opção, Maria Begonha foi eleita líder da Juventude Socialista (JS). Ora, sabendo que as chamadas "jotas" dos vários partidos funcionam como programa de estágio e formação para futuros políticos de carreira, cai muito mal ao maior partido do centro-esquerda ter a sua juventude liderada por alguém que viu o seu nome envolvido em escândalos como de falso título de mestre, com avenças atribuídas por ajuste direto em autarquias socialistas de cerca de 140 mil euros em quatro anos. As suspeitas foram até ao uso de meios públicos por apoiantes da sua candidatura, numa história que envolve o transporte de militantes num minibus de uma junta de freguesia presidida pelo PS. Os contornos são demasiadamente "cabeludos" para não terem sido objeto de profundo escrutínio. De suspeitas em suspeitas, de aprendizado e sobrevivência de jogos de poder e de corredor político, vão-se construindo os deputados e ministros de amanhã. 

Convém lembrar que a sensação de impunidade e recusa de escrutínio que marca a vida política passim tem estado na origem da adesão popular aos movimentos de extrema-direita, atrelada à narrativa de que os políticos dos partidos tradicionais são todos corruptos. Não é com casos como este que esta disposição popular é invertida. Lamentável.