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O Coletivo

19
Nov18

Narcos invade o México

Francisco Chaveiro Reis

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É muito difícil lutar contra as primeiras temporadas de Narcos e contra a brilhante interpretação de Wagner Moura como Pablo Escobar mas se esquecermos (e não é fácil porque o próprio Wagner/Pablo fazem uma perninha) a herança, Narcos: México é uma ótima série e Diego Luna, que também já tem algum currículo, é um excelente Miguel Angel Felix Gallardo. Corre bem a passagem de Medellín e Cali para Sinaloa onde encontramos Gallardo como um modesto polícia que aproveita a destruição do exercito mexicano às colheitas de marijuana para apontar o caminho ao chefão local da droga. E o caminho é deslocalizar o negócio para Guadalajara, fundar um cartel (nunca antes visto) e, claro, olear as melhores rotas para distribuir marijuana e mais tarde, cocaína. O caminho ascendente de Gallardo é feito de golpes palacianos, subornos, acordos e muita subtilleza ao contrário do caminho de ira e emoção que vimos em Escóbar. Do outro lado, apesar de se manter a narração de Boyd Hoolbrook, o polícia herói é Michael Peña como Kiki Camarasa, agente da DEA em busca de ação e ascenção na carreira. Sabemos que vem aí mais mas esta primeira fase da encarnação mexicana cumpre bem o seu papel. 

11
Nov18

Humor viking

Francisco Chaveiro Reis

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Norsemen é provavelmente a série mais original sobre o mundo dos vikings. Com um humor no-sense, acompanha o dia-a-dia da pequena aldeia norueguesa de Norheim e as suas lutas pelo poder, casos amorosos ou necessidade constante de pilhar e invadir. No centro está Orm (Kare Conradi), o cobarde irmão do chefe, que ficou a tomar conta da aldeia enquanto que o irmão, os guerreiros mais corajosos e até a sua própria mulher foram para fora em busca de riquezas. Com a misteriosa morte do chefe da aldeia, Orm e Arvid (Nils Jorgen Kaalstad), um bruto de bom coração, disputam o trono, enquanto novos perigos espreitam como o genial vilão, Conde Jarl Varg (Jon Oigarden). Um achado, consumido em pouquíssimos dias.  

04
Nov18

Sustos do passado - A Maldição de Hill House

Francisco Chaveiro Reis

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A maldição de Hill House é uma das melhores séries dos últimos anos. Para isso contribui o que é da praxe: uma boa história central que nos deixa agarrados, pequenas histórias adjacentes que fazem as personagens crescer, um criador e realizador de mão cheia e um elenco de grande qualidade. A maldição de Hill House é uma das melhores séries dos últimos anos. E é-o num género que eu nem aprecio. O terror. Mas o bom terror é mais sobre a expectativa do que aquela ansiedade básica que nos faz saltar de x em x minutos. Confesso que não gosto. Em Hill House não faltam fantasmas nem sustos ocasionais mas o que nos interessa é a forma como os pontos se ligam entre o passado e o presente. No presente, mais ou menos em 2018, acompanhamos uma família destruída por um acontecimento do passado. Percebemos que há cinco irmãos sem mãe e com um pai distante. Os cinco incluem Steve (Michiel Huisman), um bem-sucedido autor de livros de terror, mesmo sendo cético quanto ao tema; Shirley (Elizabeth Reaser), dona de uma casa mortuária e parte integrante de uma família própria que parece feliz; Theo (Kate Siegel), a irmã do meio que tem sensibilidade para os mortos e os gémeos Luke (Oliver Jackson-Cohen), drogado e Nell (Victoria Pedretti), atormentada. No passado, há quase 30 anos, a mesma família mas com mãe, pai ausente e cinco filhos felizes, chegou a uma mansão vitoriana no campo norte-americano. A ideia da mãe e do pai era fazer como noutras casas velhas e restaura-la para a vender por boa massa. Depois disso, poderiam viver numa “forever house”. Não chega a acontecer. Com saltos ao presente, percebemos que a vida não correu como esperado a ninguém e que aquele verão maldito terá sido a causa de tudo. Os saltos ao passado mostram fantasmas e estranhos acontecimentos que culminam numa noite em que a mãe desaparece e o pai aparece ensanguentado. O que se passou? É a pergunta que perseguimos.