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O Coletivo

11
Jun19

Os ISBN cinco anos depois

Flávio Gonçalves

Esta era uma das medidas que sempre esperei ansiosamente que o Ministério da Cultura de um governo socialista revertesse, regressando os ISBN gratuitos como medida de apoio à cultura em vez de financiarmos directamente a APEL, tornando-nos sócios se aceites como tal, ou indirectamente, comprando os ISBN à APEL, pagando quantias a meu ver absurdas para pequenos editores. A APEL neste caso tem funcionado como uma agência nacional de ISBN, que noutros países avançados é - tal como o registo ISSN e o Depósito Legal - um serviço público garantido pelo Estado. Pode ser que na próxima legislatura os poucos editores independentes não sócios da APEL (se é que existe ainda algum) se organizem e alertem o governo para este pormenor.

26
Mar19

Ricardo Araújo Pereira apresenta crónicas de Mário de Carvalho

Flávio Gonçalves

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A 10 de Abril, Ricardo Araújo Pereira irá apresentar no El Corte Inglés, em Lisboa, uma selecção de crónicas da autoria de Mário de Carvalho sob o título O Que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs. De acordo com o comunicado que recebemos por parte da Porto Editora, as crónicas serão “divididas em quatro partes – que separam o escritor, o cidadão, o comunicador e o memorialista”.

Trata-se da primeira vez que as crónicas de Mário de Carvalho são coligidas em livro, tratando-se de uma selecção de textos publicados originalmente nas páginas do Público e do Jornal de Letras, sendo algumas “reveladoras de como a História é cíclica e alguns autores proféticos”, garantindo a editora que “como acontece na sua ficção, também aqui reencontramos o observador atento e o incomparável contador de histórias.”

“Memórias políticas e familiares (como em «Uma bandeira na varanda»), preocupações de um cidadão inconformado («A ascensão da canalha»), um olhar crítico sobre o ofício da escrita («Espelho de escritores») e encontros («Um homem tranquilo», sobre Saramago) fazem parte do universo deste livro que será lançado a 10 de Abril às 18:30, no El Corte Inglés Lisboa, com apresentação a cargo de Ricardo Araújo Pereira.”

Mário de Carvalho foi activista pró-democracia e acérrimo defensor da liberdade de expressão, tendo sido detido e torturado durante o Estado Novo e exilado na Suécia, tendo actualmente editados 30 títulos, entre ensaios, contos, novelas e romances.

Sinopse

Reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da actualidade, a sua faceta de cronista passou despercebida à maior parte dos leitores; daí esta selecção das suas melhores crónicas publicadas nas décadas de oitenta e noventa do século passado no Público e no Jornal de Letras. Delas emergem o ficcionista, o cidadão, o comunicador e o memorialista, em textos que alguns diriam proféticos e, nas palavras de Francisco Belard: «testemunhos de um largo campo de assuntos, abordagens, dimensões e estilos, através de eras e lugares, sinais de um escritor que declaradamente prefere viajar no discurso e decurso do tempo e do espaço doméstico a fazê-lo em itinerários geográficos, programados e turísticos. Por tudo isto […], os leitores dos romances o vão reencontrar em mudáveis cenários e perspectivas, de outros pontos de vista, na familiaridade e na estranheza diante do seu mundo, que faz nosso.»

Ficha

Título: O Que eu Ouvi na Barrica das Maçãs
Autor: Mário de Carvalho
Edição: Porto Editora
Páginas: 256
Preço: 15,50€

Foto: Porto Editora

27
Fev19

Realidade paralela

Francisco Chaveiro Reis

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Como amante da cultura POP, aprecio bastante, histórias com realidades paralelas como. Falo de obras literárias como O Homem do Castelo Alto (1962) de Phillip K. Dick, que mostra um mundo onde os aliados perderam a II Guerra Mundial ou Watchmen (1987) de Alan Moore e Dave Gibbons, onde Nixon nunca foi derrubado. O encontro de hoje, entre uma antiga estrela de reality shows/milionário sem dinheiro feito presidente de um dos países de proa do mundo e o pouco querido líder de um dos países mais pobres do mundo parece saído de um livro que viva de uma realidade paralela. Para mal de todos nós, não é assim.

14
Dez18

A verdade sobre o caso Canastrão Quebert

Francisco Chaveiro Reis

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Nunca seria fácil adaptar ao ecrã (pequeno, no caso), o brilhante “A verdade sobre o caso Harry Quebert” do suíço Joel Dicker. Trata-se da história de amor de um escritor de sucesso e de uma jovem de 15 anos que acaba desaparecida. O seu corpo é encontrado na propriedade do amante muitos anos depois e este é acusado de homicídio. É nesta altura que o seu protegido e também escritor de sucesso, Marcus Goldman, vai em seu auxílio, tentando provar a inocência de Harry Quebert.

Em série a ser exibida na AMC, Patrick Dempsey, eterno Senhor Anatomia de Grey, faz de Harry, sem grande sucesso. Se na juventude, exibe o seu habitual canastrismo e olhar perdido, na velhice, quando está preso, a nossa atenção vai apenas para a má caraterização. Dempsey não está à altura de Quebert, que transforma num galã de meia tijela que não faz jus à personagem complexa que se deixa tentar por uma Lolita de bom fundo. Essa Lolita, a norueguesa Kristine Froseth, parece ser das poucas a prestar homenagem a Dicker, apresentando-se com a luz própria e personalidade vivaça mas atormentada que se atribui a Nola.

Pior do que Quebert, só Ben Schnetzer como Marcus Goldman. Como se escreve e bem na NiT, a sua apresentação ao público é superficial, cheia de clichés e “a narração em voz off faz lembrar um telefilme de qualidade duvidosa dos anos 90”. Schnetzer consegue ser mais canastrão do que Dempsey e assim se estragam duas personagens centrais e uma série. Ainda assim, para quem não sabe o final, a série merece uma espreitadela porque, lá está, a história é boa mas não merecia estas interpretações ou esta cor-de-rosização da vila onde tem lugar. Nunca seria fácil.