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O Coletivo

11
Jun19

O discurso de João Miguel Tavares

João Ferreira Dias

O cinismo que JMT levanta no seu discurso, enquanto património de uma ideia de racionalidade, está bem patente nas críticas que lhe são dirigidas. Temos este terrível hábito de criticar como ato de afirmação de superioridade intelectual. É preciso perceber que JMT tinha esta oportunidade única de discursar num 10 de Junho, que era preciso ser crítico, que era preciso, também, ter algo de emocional e arrebatador. JMT não foi populista, no meu entender. JMT tentou ter o seu momento Braveheart de exaltação do cidadão anónimo enquanto exortava os políticos a serem melhores. Terá agradado a uns e desagradado a outros. É natural. Mas não creio que tenha proferido um discurso exclusivamente a partir de um lugar de conforto da classe média sem olhar aos demais.

28
Out18

Quem chamou os fascistas?

Johannes Miksch

Em sua coluna no público, João Miguel Tavares culpa a esquerda pela atual ascensão do fascismo. Segundo ele, o uso inflacionário do termo fascista culminou num cenário parecido com o conceito da self fulfilling prophecy. Foi a esquerda que fez o monstro do fascismo reaparecer.

A utilização precisa de designações políticas não é o assunto aqui.

Não é de hoje que personagens da direita querem culpar a esquerda pelo quadro político do momento. A direita moderada se mantém calada enquanto, no caso do Brasil, a mídia se curva diante da ameaça e a elite neoliberal se acomodou com a idéia de um governo protofascista. Antes do primeiro turno no início de outubro, o banco Deutsche Bank declarou que Bolsonaro seria o candidato do mercado. A ascensão atual do fascismo é fruto do sistema neoliberal vigente, no Brasil com um passado de um regime ditatorial caiu em solo fértil.

Em um aspecto João Miguel Tavares tem razão, a esquerda deixou de querer mudar o mundo há décadas. Está na hora de contrariar esse fascismo emergente.