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O Coletivo

16
Abr19

“Voz do Operário” debate imprensa alternativa

Flávio Gonçalves

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Em 2019 o mensário “A Voz do Operário” celebra o seu 140º aniversário, inserido nas comemorações que irão decorrer ao longo do ano encontra-se agendado um debate dedicado ao actual estado da imprensa portuguesa, intitulado “Independência ao Serviço de Quem?”.

O debate irá debruçar-se essencialmente sobre o papel complementar da imprensa alternativa numa era na qual o jornalismo convencional se encontra marcado por uma imparcialidade e um enviesamento marcadamente de direita que dificilmente escapa já até aos leitores menos atentos, havendo para com esta uma desconfiança e um cepticismo tal que tem levado o público de um modo geral a procurar outras fontes de informação.

O painel contará com representantes de vários órgãos de comunicação social alternativa portuguesa, nomeadamente o jornal virtual regional lisboeta “O Corvo”; o “Avante!”, semanário do Partido Comunista Português; a revista digital “AbrilAbril”; o jornal digital “Esquerda”, órgão oficial do Bloco de Esquerda; o jornal libertário “MAPA – Jornal de Informação Crítica” e o próprio anfitrião “A Voz do Operário”.

“Num universo cada vez mais concentrado, menos diverso e plural, condicionado por interesses económicos e financeiros, a defesa de uma imprensa democrática é um combate cada vez mais urgente”, pode ler-se na página do evento no Facebook.

O debate irá decorrer amanhã, dia 17 de Abril, a partir das 18:30 na Casa da Imprensa, localizada na Rua da Horta Sêca, nº 20, 1200-170 Lisboa.

26
Mar19

Ricardo Araújo Pereira apresenta crónicas de Mário de Carvalho

Flávio Gonçalves

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A 10 de Abril, Ricardo Araújo Pereira irá apresentar no El Corte Inglés, em Lisboa, uma selecção de crónicas da autoria de Mário de Carvalho sob o título O Que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs. De acordo com o comunicado que recebemos por parte da Porto Editora, as crónicas serão “divididas em quatro partes – que separam o escritor, o cidadão, o comunicador e o memorialista”.

Trata-se da primeira vez que as crónicas de Mário de Carvalho são coligidas em livro, tratando-se de uma selecção de textos publicados originalmente nas páginas do Público e do Jornal de Letras, sendo algumas “reveladoras de como a História é cíclica e alguns autores proféticos”, garantindo a editora que “como acontece na sua ficção, também aqui reencontramos o observador atento e o incomparável contador de histórias.”

“Memórias políticas e familiares (como em «Uma bandeira na varanda»), preocupações de um cidadão inconformado («A ascensão da canalha»), um olhar crítico sobre o ofício da escrita («Espelho de escritores») e encontros («Um homem tranquilo», sobre Saramago) fazem parte do universo deste livro que será lançado a 10 de Abril às 18:30, no El Corte Inglés Lisboa, com apresentação a cargo de Ricardo Araújo Pereira.”

Mário de Carvalho foi activista pró-democracia e acérrimo defensor da liberdade de expressão, tendo sido detido e torturado durante o Estado Novo e exilado na Suécia, tendo actualmente editados 30 títulos, entre ensaios, contos, novelas e romances.

Sinopse

Reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da actualidade, a sua faceta de cronista passou despercebida à maior parte dos leitores; daí esta selecção das suas melhores crónicas publicadas nas décadas de oitenta e noventa do século passado no Público e no Jornal de Letras. Delas emergem o ficcionista, o cidadão, o comunicador e o memorialista, em textos que alguns diriam proféticos e, nas palavras de Francisco Belard: «testemunhos de um largo campo de assuntos, abordagens, dimensões e estilos, através de eras e lugares, sinais de um escritor que declaradamente prefere viajar no discurso e decurso do tempo e do espaço doméstico a fazê-lo em itinerários geográficos, programados e turísticos. Por tudo isto […], os leitores dos romances o vão reencontrar em mudáveis cenários e perspectivas, de outros pontos de vista, na familiaridade e na estranheza diante do seu mundo, que faz nosso.»

Ficha

Título: O Que eu Ouvi na Barrica das Maçãs
Autor: Mário de Carvalho
Edição: Porto Editora
Páginas: 256
Preço: 15,50€

Foto: Porto Editora

18
Mar19

Youtubers politizados, procura-se!

Flávio Gonçalves

Graças ao fenómeno dos youtubers do qual só me apercebi graças ao Nuno Markl (como boa parte das pessoas que conheço da minha geração), a verdade é que me viciei em alguns youtubers humorísticos e políticos em língua inglesa. Portugal ainda está na infância do fenómeno.

Nos EUA e no Reino Unido há uma legião de youtubers que como jornalistas e intelectuais independentes colmatam as falhas da comunicação social, em Portugal vemos adultos a contar piadas, a fazer disparates e a jogar jogos ao vivo para crianças e adolescentes... chega a ser deprimente.

No Brasil existem também vários youtubers jornalísticos e políticos, em Portugal recordo que o Paulo Querido e o Joao Vasco Almeida animaram também um canal, tal como a Joana Amaral Dias, ambos extintos... será um problema de dimensão?

Caso tenham algum interesse em iniciar-se no youtube politizado em língua portuguesa, sugiro o brasileiro Tese Onze, o arquivo é um verdadeiro tesouro, só lamento não ser diário.

29
Jan19

Nota sobre a má imprensa

Flávio Gonçalves

É curioso que a Grécia tenha reconhecido o governo de Maduro, mas a comunicação social portuguesa esteja a esquecer-se por completo de o noticiar. Uma legítima distracção, suponho. A Itália afastou-se também do ultimato da União Europeia a Maduro (originando uma crise no governo, o primeiro-ministro do Movimento 5 Estrelas ao lado de Maduro enquanto A Liga apoia Guaidó), suponho que eventualmente tal surja nos jornais portugueses... preocupa-me seriamente o estado da comunicação social em Portugal, mesmo muito, até porque é o que os nossos governantes e eleitores leem, acriticamente!

25
Jan19

Um último comentário sobre a Venezuela

Flávio Gonçalves

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A minha posição em relação à Venezuela é muito simples: Maduro é um governante extremamente incompetente e incapaz, fui o primeiro a denunciá-lo logo meses após o início do seu mandato - o que me retirou da lista de convidados habituais da embaixada da Venezuela em Portugal durante vários anos, onde era orador habitual - mas não é um ditador. O regime está assolado pela corrupção, que é endémica na América Latina e ali não será excepção, mas não é uma ditadura. As eleições que elegeram Maduro foram legítimas, a parte mais radical da oposição recusou concorrer e as entidades internacionais recusaram estar presentes, tal não lhes retira a legitimidade.

 

O povo padece com a incompetência de Maduro aliada às sanções e boicotes impostos pelo estrangeiro. Não sou comunista nem próximo do PCP, mas trabalhei em várias redacções, leio imensa imprensa russa, iraniana, da esquerda americana, britânica, castelhana, brasileira e canadiana e não consigo fingir não saber o que sei, olhar para o lado enquanto todos assumem mentiras como verdades e o mundo se divide em "bons e maus", por ser socialista democrático e genuíno defensor da liberdade não me posso fingir de autista, lamento que tal choque amigos, camaradas e provavelmente até familiares, mas é por as pessoas das camadas mais informadas da sociedade se calarem todos os dias - quando salta à vista as muitas falsidades que são tomadas como verdade - que o eleitorado vota cada vez mais em populistas tanto à esquerda como à direita e estamos perante um ressurgimento do fascismo (último reduto dos descontentes) um pouco por todo o mundo.

 

O Vontade Popular é um partido violento de extrema-direita com uma milícia armada que já assassinou dezenas de pessoas e feriu centenas, os restantes partidos da oposição afastaram-se inclusivamente deste, lá por a Internacional Socialista o reconhecer como membro não o torna em socialista democrático nem em centro esquerda, na IS estão também partidos curdos classificados como terroristas e o MPLA. Não voltarei a este tema, por muito que me magoe o estado e a injustiça do mundo - em boa parte graças ao analfabetismo político generalizado e ao mau serviço prestado pela comunicação social - o meu foco é Portugal, os portugueses e a Europa.

24
Jan19

Três apontamentos incómodos sobre a Venezuela

Flávio Gonçalves

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Tenho a dizer que não me surpreendeu, fui das primeiras vozes em Portugal a profetizar que Maduro, dada a sua inépcia em carregar o positivo legado de Hugo Chávez, acabaria mais cedo ou mais tarde por ser vítima de um golpe, fosse da oposição ou inclusivamente dos sectores chavistas descontentes. Mas estando ainda por desvendar o que aí vem, ocorrem-me três reflexões:

 

Primeira: que Maduro não tenha dado voz de prisão a Guaidó quando este manifestou a intenção de se auto-nomear presidente interino e pediu apoio internacional semanas antes, demonstra que o mesmo já recearia que essa ordem não fosse acatada pelas suas forças policiais?

 

Segunda: é interessante verificar que antes dos vários governos europeus se posicionarem (e alguns ainda não o fizeram) a porta-voz da União Europeia falou colectivamente por todos eles e, por inerência, todas as nações europeias reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela. Não havendo um governo europeu de facto (para meu pesar), isto será legítimo e democrático?

 

Terceiro: um país não pode ter dois presidentes. Para lá da legitimidade constitucional de Maduro ou Guaidó, tratando-se de um golpe o próximo presidente de facto da Venezuela será quem detiver o monopólio da violência (ou seja, o apoio do Exército). Esperemos que a tempo de evitar uma guerra civil.

22
Jan19

Racismo ou Luta de Classes?

Flávio Gonçalves

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Os eventos que testemunhamos esta semana irão certamente fazer correr muita tinta imprensa e blogosfera fora, contudo, como já alertei também aquando da acusação semelhante formulada contra uma esquadra da PSP na Amadora, é de lamentar que um pouco por todo o lado tentem explicar recorrendo ao racismo problemas de fundo que são uma questão de classe, não se trata da cor da pele, trata-se do facto de serem pobres e economicamente desprotegidos!

 

Ou seja, fosse um bairro degradado no norte do país, na Madeira ou nos Açores, ou até na capital se forem membros de uma qualquer tribo urbana, o tratamento policial teria sido exactamente o mesmo embora as vítimas fossem brancas. Eu sei que este tipo de discurso (vulgo a minha "crença ideológica num outro modelo de sociedade, muitas vezes assente no privilégio doutrinário"), como recordou Mamadou Ba, "não salva quem todos os dias é violentado com o racismo", mas comportamentos como o de ontem e uma generalização quanto ao comportamento das forças policiais são erros que em França, Itália e Estados Unidos catapultaram as forças populistas de extrema-direita.

 

Este tipo de agitação social se tivesse ocorrido em vésperas das eleições, fossem elas Europeias ou Legislativas, certamente que teriam tido grande proveito eleitoral por parte de arrivistas do populismo como André Ventura, pois os extremos políticos tanto à esquerda como à direita precisam do racismo como de pão para a boca, ou já ninguém recorda o caso do Arrastão?

11
Jan19

Europeias 2019: o início de uma Europa populista?

Flávio Gonçalves

Europa.jpgVoteWatch divulgou anteontem a sua projecção mais recente quanto às eleições Europeias de 2019, estimando que os eurodeputados nacionalistas, neo-fascistas, neo-nazis, populistas de direita e derivados venham a obter cerca de 25% dos assentos do Parlamento Europeu, tornando-se na segunda maior força.

 

Não deixa de ser curioso que uma estrutura pensada para unir a Europa e evitar novas guerras e ressurgimentos fascistas após 1945, esteja na prática a servir como plataforma para os mesmos e, a este ritmo, corremos o risco de um dia vir a ter um Parlamento Europeu com uma maioria absoluta de extrema-direita e, quiçá, uma Comissão Europeia que acabe por democraticamente impor o que em 1945 as armas não conseguiram.

 

Claro está que a natureza dos nacionalismos da direita europeia evitam que a médio prazo sejam uma ameaça, pois existe uma enorme hostilidade entre os eurogrupos parlamentares populistas das várias nações europeias e dificilmente chegarão a acordo entre si (por norma chegam a acordo com conservadores e liberais nas suas respectivas nações, e certamente manterão a tendência no Parlamento Europeu). 

 

Na realidade serão mais de 25% dos eurodeputados, uma vez que a VoteWatch se cingiu aos partidos que integram eurogrupos parlamentares reconhecidamente de extrema-direita e olvidou de incluir nesta estimativa outros populistas e nacionalistas da Hungria, Dinamarca e Finlândia (que me ocorrem de cor, certamente existem mais) que estão integrados no Partido Popular Europeu e noutros eurogrupos centristas. 2019 aparenta mesmo ser um ano de viragem para a política europeia, mantendo-se para já Portugal como única excepção após o sucesso do Vox em Espanha.

 

A imprensa portuguesa aparentemente bem se tem esforçado para criar um ambiente propício ao florescimento de um partido populista nas lusas terras, mas para já sem grande sucesso. A ver vamos qual será a popularidade de André Ventura, pessoalmente - como efectuei com Marinho e Pinto - já ando a firmar apostas de almoços e jantares em como, dada a natureza do eleitorado português, não irá conseguir eleger nem um único deputado. A ver vamos.

14
Nov18

Revista académica para ideias polémicas?

Flávio Gonçalves

 

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Noticiou-se há dias que vários académicos de todo o mundo se preparam para lançar uma nova revista que tem a peculiaridade de permitir que os ensaios publicados sejam anónimos. A dar a cara por este novo projecto está Jeff McMahan, professor de Filosofia Moral na Universidade de Oxford. Diz ele que o clima hoje em dia, tanto dentro como fora das universidades, impõe demasiada auto-censura e assim os ilustres e desconhecidos estudiosos poderão publicar os seus ensaios e estudos sem receio de perseguição.

 

Nesrine Malik já reagiu negativamente nas páginas do Guardian, pela minha parte estou extremamente curioso, afinal que raios irão publicar ali de tão polémico que já não tenhamos visto no Canal História ou em revistas académicas como as Mankind Quarterly, Journal of Social, Political, and Economic Studies e Journal of Indo-European Studies, todas pagas pelo famoso Pioneer Fund (resquício da World Anti-Communist League) e todas ainda em publicação.

 

Por exemplo, num dos exemplares do Journal of Social, Political, and Economic Studies que tive a oportunidade de consultar recordo carinhosamente um ensaio onde se dedicavam a explicar a crise económica em Itália, Grécia e Portugal com base em estudos de Quoficiente de Inteligência e factores genéticos dos cidadãos da Europa do Sul quando comparados com os da Europa do Norte... (não sei se os neo-nazis portugueses leem estas revistas genuinamente neo-nazis, mas talvez devessem).

 

É mais provável que estes académicos anónimos queiram publicar os seus estudos e ensaios polémicos em revistas que não tenham laços já conhecidos a estudos craniais e eugénicos ou a maluquinhos dos OVNIs. Aparentemente vão publicar ensaios que irão irritar tanto à esquerda como à direita, pela minha parte tenho curiosidade, é quase certo que pelo menos o primeiro número devo comprar. Se souber como, afinal, a coisa é tão anónima que nem o título da revista divulgaram...

11
Nov18

Exército Europeu? Ontem já era tarde!

Flávio Gonçalves

Embora discorde por completo das razões apontadas por Macron (a meu ver a Rússia não é ameaça para a Europa desde o fim da URSS, é até provavelmente um parceiro militar e comercial mais fiável que os EUA), concordo em absoluto que a Europa precisa do seu próprio Exército, não só precisamos de um Exército como urge delinearmos também uma política externa própria (alheia aos interesses que nos impingem dos EUA, entenda-se) e outras miudezas como a criação do Estado Social Europeu antes que União Europeia imploda de vez (sim, a federalização da Europa). Ainda sobre a minha discordância para com a argumentação de Macron, diz ele que a Rússia é que é a ameaça, contudo quem não gostou da ideia da Europa criar um Exército foram os EUA...