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O Coletivo

01
Ago19

Solidariedade para com Luis Pastor

Flávio Gonçalves

Enquanto o PSOE se diverte em Espanha a desiludir-me com todas as esperanças com que Pedro Sánchez deu de uma viragem à esquerda ao estilo português e britânico, insistindo em não se aliar ao Podemos e evitar novas eleições, a direita em bloco uniu-se para proibir um concerto de Luis Pastor em Madrid. Refiro-me ao PP (centro-direita), ao Cidadãos (direita liberal) e VOX (extrema-direita), pois como estou careca de repetir aos socialistas que acreditam na treta de "uma união de amplo espectro em defesa da democracia", no mundo real os conservadores e os liberais cheirando a poder aliam-se é com a extrema-direita, não é connosco meus amigos. 

 

23
Jul19

Ainda há esperança geopolítica no PS!

Flávio Gonçalves

Estou extremamente orgulhoso dos eurodeputados socialistas portugueses, alemães, franceses, britânicos, búlgaros e eslovacos que tentaram convencer o Socialists and Democrats Group in the European Parliament a votar contra o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela quando este não tem qualquer apoio interno no seu próprio país. Estão também de parabéns os eurodeputados austríacos, alemães, búlgaros e portugueses do Partido Socialista Europeu que se opuseram, sem sucesso, a que a nova lei referente a Violações de Direitos Humanos não hostilizasse a Rússia. Fracassaram, mas que tenham tentado já me enche de orgulho. Ainda há esquerda atenta no PS, ainda há esquerda atenta no PSE, e um dia seremos novamente maioria!

09
Jul19

Amores e desamores de Jeremy Corbyn

Flávio Gonçalves

Aparentemente noticiam-se cada vez mais trabalhistas que odeiam Jeremy Corbyn e adoram Tony Blair. A meu ver não são de esquerda, lamento informá-los. Mas compreendo, no PS também temos uma multidão de gente de direita que julga ser de esquerda, e estes odiavam Costa antes deste ser eleito. Portanto, creio que também estes irão gostar de Corbyn se este também conseguir ser eleito. Os amores e os ódios na política são muito voláteis, eu também não irei gostar de Corbyn se este for eleito e governar à Blair... tal como não me agradaria Costa se este tivesse optado, suicidariamente, por um governo de bloco central com Passos Coelho.

09
Jul19

Outra vez os camionistas

Flávio Gonçalves

Pessoalmente gosto de sindicatos aguerridos, como na Europa, com piquetes de greve à porta a impedir os fura-greves de entrar, com fundos de greve que pagam o ordenado aos grevistas e que conseguem conquistas sociais. Creio é que na mornice portuguesa já não sabemos lidar com sindicatos e activismo a sério, tanto que a CGTP nos habituou às greves e manifestações "por calendário" e a UGT a conseguir acordos cordiais à mesa com o patronato.

08
Jul19

Ainda sobre o elefante na sala

Flávio Gonçalves

Ainda no espírito do que referi ontem, aconselho este magnífico vídeo do Jimmy Dore que realça precisamente o meu ponto de vista sobre como a dita diversidade e multiculturismo na realidade se limitam a camuflar a "luta de classes unilateral" (Chomsky dixit) do mundo em que vivemos. Eu resumo, o Vox elogiou a diversidade do painel de moderadores do debate dos candidatos à nomeação do Partido Democrata à presidência dos EUA, contudo o comediante Jimmy Dore (de esquerda) realçou um pormenor que lhes escapou ou ignoraram deliberadamente, sim senhor, estão representadas as minorias de ascendência sul-americana, afrodescendente e LGBT... "temos um milionário negro, uma milionária branca, um milionário hispânico, um milionário estúpido e uma milionária gay", ou seja, zero de diversidade social e esta sim é bem mais relevante que o pedigree hoje em dia. Como referi no Twitter: "contudo, continuam a achar que não é uma questão de classe, mas de racismo e combate ao mesmo..."

07
Jul19

O elefante na sala

Flávio Gonçalves

Admito não ter conseguido ler na totalidade o texto de Maria de Fátima Bonifácio. Mais devido ao ódio de classe que ao racismo (notório, mas mero apêndice da sua identidade e preconceito de classe). O problema em Portugal passa mais por o criado ganhar o ordenado mínimo e o patrãozinho vários milhares de euros do que com problemas de pele e costumes. Mas assim se distrai o povo do essencial, todos estes males advêm do capitalismo selvagem e do espírito esclavagista do patronato português, é esse o elefante na sala cuja existência ninguém quer assumir. PS - acho absurdas as quotas, são um gesto paternalista que a meu ver demonstram um preconceito não assumido (o tal fardo) por os coitadinhos dos negros e ciganos precisarem da mãozinha patriarcal branca heterossexual, mas muito solidária com as minorias, para os ajudar e guiar numa evolução para a respeitabilidade da cultura eurocentrista.

06
Jul19

Da liberdade...

Flávio Gonçalves

Uma rápida pesquisa demonstrará a minha antipatia por José Manuel Coelho (o mesmo provavelmente até me poderia processar por difamação), mesmo assim custa-me digerir que por difamação e desobediência se cumpram três anos e meio de pena efectiva. Soa mais a Estado Novo que a 25 de Abril, perdoem a ousadia os juízes nestas lusas terras. Temos todos cada vez mais que ponderar e autocensurar tudo o que afirmamos e escrevemos.

02
Jul19

Xenofobia jornalística?

Flávio Gonçalves

Sputnik e RT: financiados pelo governo da Rússia, conclusão: nada fiáveis. RTP: financiada pelo governo de Portugal, conclusão: plenamente fiável. Público: financiado em parte pelo governo dos EUA (via FLAD) e por um empresário, conclusão: plenamente fiável. Não há um certo preceito xenófobo na apreciação que alguns políticos e jornalistas fazem quanto às suas fontes jornalísticas? Nem o Pravda.ru escapa, e somos privados, não recebemos um cêntimo do governo russo mas "é russo", logo não é de fiar, logo é um preceito xenófobo... digo eu.

11
Jun19

Os ISBN cinco anos depois

Flávio Gonçalves

Esta era uma das medidas que sempre esperei ansiosamente que o Ministério da Cultura de um governo socialista revertesse, regressando os ISBN gratuitos como medida de apoio à cultura em vez de financiarmos directamente a APEL, tornando-nos sócios se aceites como tal, ou indirectamente, comprando os ISBN à APEL, pagando quantias a meu ver absurdas para pequenos editores. A APEL neste caso tem funcionado como uma agência nacional de ISBN, que noutros países avançados é - tal como o registo ISSN e o Depósito Legal - um serviço público garantido pelo Estado. Pode ser que na próxima legislatura os poucos editores independentes não sócios da APEL (se é que existe ainda algum) se organizem e alertem o governo para este pormenor.

06
Jun19

As leis da memória em Espanha e o Vox

Flávio Gonçalves

O Supremo espanhol travou a exumação de Franco, o disparate que fez espoletar o sucesso de Vox. Infelizmente o mal já está feito, veremos se pelo menos serve de vacina aos restantes partidos socialistas europeus. Infelizmente o Podemos aparenta querer insistir no disparate das "leis da memória", sem conseguir reconhecer que foram precisamente disparates ideologicamente histéricos como esses que fizeram surgir em Espanha o Vox. 

É por isto que são necessários os votos no centro-esquerda, único travão dos extremistos tanto à esquerda como à Direita. Não sei em que medida todo este histerismo politicamente correcto da extrema-esquerda espanhola não advém do trauma de Franco lhes ter entregue a democracia de bandeja. Cá em Portugal foi necessária uma revolução, será esse o trauma? A ditadura dei-lhes a democracia e isso chateia?