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O Coletivo

11
Jan19

Europeias 2019: o início de uma Europa populista?

Flávio Gonçalves

Europa.jpgVoteWatch divulgou anteontem a sua projecção mais recente quanto às eleições Europeias de 2019, estimando que os eurodeputados nacionalistas, neo-fascistas, neo-nazis, populistas de direita e derivados venham a obter cerca de 25% dos assentos do Parlamento Europeu, tornando-se na segunda maior força.

 

Não deixa de ser curioso que uma estrutura pensada para unir a Europa e evitar novas guerras e ressurgimentos fascistas após 1945, esteja na prática a servir como plataforma para os mesmos e, a este ritmo, corremos o risco de um dia vir a ter um Parlamento Europeu com uma maioria absoluta de extrema-direita e, quiçá, uma Comissão Europeia que acabe por democraticamente impor o que em 1945 as armas não conseguiram.

 

Claro está que a natureza dos nacionalismos da direita europeia evitam que a médio prazo sejam uma ameaça, pois existe uma enorme hostilidade entre os eurogrupos parlamentares populistas das várias nações europeias e dificilmente chegarão a acordo entre si (por norma chegam a acordo com conservadores e liberais nas suas respectivas nações, e certamente manterão a tendência no Parlamento Europeu). 

 

Na realidade serão mais de 25% dos eurodeputados, uma vez que a VoteWatch se cingiu aos partidos que integram eurogrupos parlamentares reconhecidamente de extrema-direita e olvidou de incluir nesta estimativa outros populistas e nacionalistas da Hungria, Dinamarca e Finlândia (que me ocorrem de cor, certamente existem mais) que estão integrados no Partido Popular Europeu e noutros eurogrupos centristas. 2019 aparenta mesmo ser um ano de viragem para a política europeia, mantendo-se para já Portugal como única excepção após o sucesso do Vox em Espanha.

 

A imprensa portuguesa aparentemente bem se tem esforçado para criar um ambiente propício ao florescimento de um partido populista nas lusas terras, mas para já sem grande sucesso. A ver vamos qual será a popularidade de André Ventura, pessoalmente - como efectuei com Marinho e Pinto - já ando a firmar apostas de almoços e jantares em como, dada a natureza do eleitorado português, não irá conseguir eleger nem um único deputado. A ver vamos.

11
Nov18

Exército Europeu? Ontem já era tarde!

Flávio Gonçalves

Embora discorde por completo das razões apontadas por Macron (a meu ver a Rússia não é ameaça para a Europa desde o fim da URSS, é até provavelmente um parceiro militar e comercial mais fiável que os EUA), concordo em absoluto que a Europa precisa do seu próprio Exército, não só precisamos de um Exército como urge delinearmos também uma política externa própria (alheia aos interesses que nos impingem dos EUA, entenda-se) e outras miudezas como a criação do Estado Social Europeu antes que União Europeia imploda de vez (sim, a federalização da Europa). Ainda sobre a minha discordância para com a argumentação de Macron, diz ele que a Rússia é que é a ameaça, contudo quem não gostou da ideia da Europa criar um Exército foram os EUA...

30
Out18

Sentiremos Falta da Srª Merkel

João Ferreira Dias

Nós que já fomos anti-merkelianos vamos viver um tempo, que já se anuncia, em que sentiremos a falta da ainda Chanceler alemã. Apesar dos namoricos de mercado e bancários da senhora, a mesma foi um tampão numa Alemanha a contas com o fantasma da história. A emergência dos fascismos reciclados e modernizados fará de Angela Merkel a derradeira figura democrática numa Europa a passos largos para o declínio. Convém não esquecer que a globalização já apresentou a sua fatura, e os desníveis sociais e económicos de coisas como a moeda única irresponsável trazem a reboque os radicalismos. Bolsonaro não se elegeu sozinho. Nem Viktor Orbán, entre outros.