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O Coletivo

02
Jun19

Eleições: dois desejos e uma sugestão

Flávio Gonçalves

Tenho um desejo utópico para as próximas eleições, que a imprensa e televisões escrutinem e nos expliquem os programas eleitorais dos partidos, que os cidadãos sejam finalmente elucidados quanto ao poder e repercussão do seu voto, que os jornalistas dos jornais, revistas e televisões informem os eleitores em vez de especular com um populismo que cá não pega.

Tenho um desejo distópico para as próximas eleições, e já o tenho defendido ao longo dos anos em vários artigos de opinião tanto na imprensa açoriana como portuguesa: torne-se o voto obrigatório e penalize-se quem não vá votar com uma multa simbólica de 20€, se querem protestar o regime que votem nulo ou em branco, se lhes é indiferente que paguem o preço dessa indiferença uma vez que ao longo de séculos muitos morreram pelo seu direito a votar.

Tenho uma sugestão democrática para as próximas eleições, atribuir meio dia de folga sem perda de rendimentos a todo o cidadão que vá votar. Um incentivo realista e democrático, mais que esperar que os jornalistas façam o seu trabalho ou que o governo torne o voto em obrigatório. É uma alteração legislativa simples, embora descreia que o meu partido (PS) e o outro (PSD) a apliquem dado o risco que esse novo eleitorado poderá constituir a votar em massa em pequenos partidos extraparlamentares e a irritação que pagar meio dia e subsídio de almoço aos trabalhadores constituirá para o patronato luso, cuja mentalidade esclavagista rivaliza mesmo com a dos empresários dos EUA.

02
Jun19

Rescaldo eleitoral

Flávio Gonçalves

É em semanas como estas que tenho pena de já não estar numa redacção a reportar, indagar, entrevistar e a explicar o mundo e a Europa aos leitores e eleitores... curiosamente parece que a maior parte das pessoas que está efectivamente numa redacção mainstream não tem essa vontade... as eleições em Portugal fazem-me pensar cada vez mais na letra de "A Gente Não Lê" (sublime na voz de Isabel Silvestre): "e do resto entender mal, soletrar assinar em cruz, não ver os vultos furtivos, que nos tramam por trás da luz". 

28
Mai19

Baixar a Crista

João Ferreira Dias

O maior derrotado, a meu ver, destas eleições europeias (além da derrota simbólica da Democracia pela abstenção), é o CDS-PP. Depois da onda de euforia megalómana de Assunção Cristas, que já se via como Primeira-Ministra, um balde de água fria caia sobre o partido, deixando uma importante lição: querer ser uma espécie de navio de papel ideológico, sacudido entre margens opostas, não resulta. Primeiro porque não convence o eleitorado não-conservador, segundo porque desagrada, e muito, ao seu eleitorado de base. Ou o CDS é um partido de direita católica ou é um partido maria-vai-com-as-outras do centro. Ser um ringue para Nuno Melo chatear a esquerda e para Cristas sonhar acordada não basta. 

08
Mai19

"Porquê votar nas eleições europeias de maio de 2019?"

A woman in politics
05
Nov18

(Des)convite à extrema-direita

Rúben Gomes

 

A pouco mais de seis meses das Eleições Europeias o Ifop divulgou uma sondagem sobre as mais recentes tendências de voto em França. 
A LREM, coligação entre o Republicains en Marche, de Emmanuel Macron e Modem, movimento democrático de Alain Bayrou, situa-se em meros 19%. Á sua frente já se encontra a Rassemblement Nacional (actual designação da Frente Nacional), liderada por Marine Le Pen, com 21%. Uma subida de 4% face à sondagem prévia.
Importa debruçar-nos sobre isto no dia em que começa a Web Summit, evento que desconvidou Marine Le Pen após a mossa gerada com o convite inicial. Ignorar ou hostilizar a extrema-direita não é solução, contudo há que considerá-la com mais lucidez, seriedade e prudência e menos histrionismo.
Ostracizar quem nos discorda, agindo ao arrepio do que está plasmado nas constituições dos Estados democráticos não costuma augurar os melhores desfechos. Se esta tendência não for revertida, receio chegar a Maio e dizer "se isto aconteceu não foi por falta de aviso"...