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O Coletivo

20
Jan19

O genro de Jerónimo

João Ferreira Dias

O povo costuma dizer que quem anda a chuva molha-se, e se é verdade que um político não é responsável pelos atos de familiares, não é menos verdade que um contrato entre a câmara de Loures, de gestão comunista, e o genro do líder do PCP é motivo quanto-baste para torcer o nariz. O PCP reage voltando a foice à TVI, uma atitude descabida e apressada que não abona em favor do partido, particularmente quando é tão ávido de casos jornalísticos que evidenciem os males do capitalismo e dos demais partidos. No mundo da política tudo se move por esferas de interesses e há sempre uma mão amiga aqui e acolá. É o que Brasil se chama de fator "QI", isto é, "quem indica". 

Ora, isto lembra-nos que partidos hipermoralistas ficam à mercê dos acontecimentos, incapazes de contornar factos e pior, incapazes de fazer mea culpa ou ver mal em causa própria. Nada disto é simpático para o PCP e permite-nos teorizar que entre um comunista e um capitalista a diferença é a oportunidade. 

05
Jan19

A pouca Begonha da JS

João Ferreira Dias

À falta de outra opção, Maria Begonha foi eleita líder da Juventude Socialista (JS). Ora, sabendo que as chamadas "jotas" dos vários partidos funcionam como programa de estágio e formação para futuros políticos de carreira, cai muito mal ao maior partido do centro-esquerda ter a sua juventude liderada por alguém que viu o seu nome envolvido em escândalos como de falso título de mestre, com avenças atribuídas por ajuste direto em autarquias socialistas de cerca de 140 mil euros em quatro anos. As suspeitas foram até ao uso de meios públicos por apoiantes da sua candidatura, numa história que envolve o transporte de militantes num minibus de uma junta de freguesia presidida pelo PS. Os contornos são demasiadamente "cabeludos" para não terem sido objeto de profundo escrutínio. De suspeitas em suspeitas, de aprendizado e sobrevivência de jogos de poder e de corredor político, vão-se construindo os deputados e ministros de amanhã. 

Convém lembrar que a sensação de impunidade e recusa de escrutínio que marca a vida política passim tem estado na origem da adesão popular aos movimentos de extrema-direita, atrelada à narrativa de que os políticos dos partidos tradicionais são todos corruptos. Não é com casos como este que esta disposição popular é invertida. Lamentável.