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O Coletivo

09
Jul19

Amores e desamores de Jeremy Corbyn

Flávio Gonçalves

Aparentemente noticiam-se cada vez mais trabalhistas que odeiam Jeremy Corbyn e adoram Tony Blair. A meu ver não são de esquerda, lamento informá-los. Mas compreendo, no PS também temos uma multidão de gente de direita que julga ser de esquerda, e estes odiavam Costa antes deste ser eleito. Portanto, creio que também estes irão gostar de Corbyn se este também conseguir ser eleito. Os amores e os ódios na política são muito voláteis, eu também não irei gostar de Corbyn se este for eleito e governar à Blair... tal como não me agradaria Costa se este tivesse optado, suicidariamente, por um governo de bloco central com Passos Coelho.

12
Mar19

A semana que decide o Brexit

A woman in politics

A data oficial do Brexit é a 29 de março e o que acontecerá até lá será puro entretenimento para os amantes de política (à falta de melhor descrição).

Esta semana, mais concretamente, será pródiga em acontecimentos. Vejamos.

Hoje foi votado o novo acordo de Theresa May, e caso fosse aprovado, a saída do Reino Unido da UE dar-se-ia dentro do previsto. Contudo, já sabemos que o acordo foi votado e foi rejeitado, e passamos então à fase de votação relativa a uma saída sem acordo.

Essa votação ocorrerá amanhã (13 de março) e caso seja aprovada os britânicos sairão de facto a 29 de março (embora sem acordo), e navegarão por águas mais turvas do que se previa.

Por outro lado, se for rejeitada passamos à fase de votação, que ocorrerá a 14 de março, para adiamento do Brexit. Novamente, se a votação for rejeitada há uma saída a 29 de março (sem acordo), e se for aprovada o Brexit será adiado...

Para quando e com que propósito é o que falta saber. Mas nem os britânicos sabem...

 

brexit2.png

 

11
Dez18

O Brexit do Brexit?

A woman in politics

A votação do acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia foi adiada por Theresa May. Porquê? Porque se sabia que o acordo ia ser rejeitado pelo Parlamento e assim ganha-se tempo...

Mas tempo para quê? Nem a Primeira-Ministra sabe muito bem...

Juncker e Merkel rejeitam a possibilidade de renegociar o acordo para o Brexit. Logo se o acordo se mantém igual, porque iria o Parlamento Britânico votar diferente?

O Tribunal de Justiça da União Europeia avança que o Reino Unido pode cancelar o Brexit sem a consulta e permissão dos 27 estados-membros da UE.

Estão a ver o caminho?

Eu já começo a ver.

26
Nov18

Banalização da tristeza

Rúben Gomes

O adjectivo que mais ouvi nos últimos dois dias foi "triste". Todas as vezes que o ouvi foi relativamente ao acordo entre a União Europeia e Theresa May para a saída do Reino Unido da comunidade. A palavra proferida em discursos empolados de políticos elitistas não me surpreendeu, contudo creio ser no mínimo inadequado que Judite de Sousa abra o noticiário qualificando a saída do Reino Unido da UE de "triste". Ou estou muito errado ou estamos perante o desrespeito à isenção e imparcialidade, que são princípios elementares que deveriam nortear o jornalismo?
Tornou-se, portanto, "politicamente correcto" ficar "triste" com a saída de um Estado-membro da UE. Sou um crítico do emprego do termo neste contexto. A minha concepção de tristeza abarca negatividades que destruam ou atravanque a vida das pessoas, tais como o aconteceu em Borba, Pedrogão Grande, as penas suspensas a senhores que tiveram contacto sexual com mulheres que disseram "não", a displicência e laxismos para com preconceitos que redundam em discriminações aviltantes de direitos e liberda
des fundamentais ou a salvação de bancos privados com o dinheiro dos contribuintes, pressionada pelo querido BCE, em detrimento da saúde, educação e segurança social da população.
Destarte, a minha tristeza cinge-se, neste momento, a quem morreu ou perdeu amigos e familiares na tragédia de Borba e aos estivadores e aos professores que clamam pelo respeito do governo português.

PS: Se a Grécia não tivesse implementado as medidas de austeridade que a União Europeia lhes pressionou a tomar e tivessem sido sido expulsos, tal como muitos sugeriram em 2015, Jean-Claude Juncker, Paulo Portas e Judite de Sousa ficariam tristes?