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O Coletivo

03
Nov18

Sólo fértil para a direita radical

Flávio Gonçalves

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Como realcei anteriormente, as eleições no Brasil fizeram com que me apercebesse de uma realidade portuguesa que estava mesmo aqui à tona (nas redes sociais e caixas de comentários dos jornais), mas que ignorava e que, aparentemente, a esquerda portuguesa também parece ignorar - embora seja tão analítica no caso brasileiro.

 

Houve algum destaque para os comentários de Manuel Alegre, em cuja campanha presidencial colaborei, quanto à tauromaquia, mas os críticos aparentam não compreender que Alegre não se referia meramente às touradas, a sua afirmação sobre "este tipo de intolerância" criar Bolsonaros dirigia-se a uma esquerda surda e histérica, moralista das causinhas minoritárias que só interessam a 0,1% da população, que teima em persistir no seu erro.

 

Alegre, como Costa, Corbyn, Zizek e outros - menos do que seria de esperar - sentem sobre si a responsabilidade política e a memória histórica da esquerda não-histérica, e esta responsabilidade passa por ter o sangue frio necessário para compreender porque é que o centro-esquerda está a perder votos para a extrema-direita em todo o mundo. Ou terei sido o único a comparar os resultados eleitorais de ano para ano e a notar no padrão de que onde os partidos socialistas perderam votos, estes migraram para os populistas?

 

Os Bolsonaros não surgem de um momento para o outro sem um solo fértil, e quando lemos disparates como os de Rui Pena Pires, alertando que "Portugal precisa desesperadamente de imigrantes para combater falta de mão-de-obra", não precisamos de ser licenciados em Sociologia para compreender que com uma taxa de desemprego nos 7%, este tipo de afirmação é mais um alarmismo a favor do solo fértil para cá surgir um Bolsonaro ou uma Le Pen. As vagas que estão por preencher precisam é de ORDENADOS DIGNOS, não precisam de escravizar imigrantes!

 

A esquerda histérica bem pode preocupar-se com as causas de 0,1% da população, mas a esquerda séria, estatal, democrática, plural e trabalhista tem que se preocupar muito mais com os 90% da população cuja principal preocupação é chegar ao fim do mês com dinheiro para comer, pagar as contas e o empréstimo. Ou como digo sempre, leiam menos Soros e mais Zizek! Menos teoria e mais realismo prático e pragmático!