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O Coletivo

29
Out18

Está Portugal imune a um Bolsonaro?

João Ferreira Dias

As eleições brasileiras têm de soar o alarme de forma estridente. Não apenas pela virada ideológica que representam, mas pela forma como foi possível eleger um candidato de extrema-direita graças a uma task force entre os meios de comunicação social conservadores, as igrejas evangélicas e uma fortíssima manipulação do eleitorado pelas redes sociais, através de uma fabricação e difusão brutal de fake news, um grave crime eleitorado extremamente difícil de mapear e controlar. Tudo junto, foi capaz de gerar um clima de histeria que produziu uma onda irracional junto de um eleitorado escolarizado e informado, mas que não é imune a uma manipulação mediática bem articulada. Este fenómeno será capaz de incentivar os movimentos de extrema-direita, em emergência por todo o mundo, a realizarem aguerridas campanhas de manipulação do eleitorado conservador e permeável. E se acharmos que no sossego dos nossos lares europeus estamos imunes à vitória de um candidato homofóbico, racista, misógino e pró-ditadura, então andamos a descansar na almofada em demasia, desvalorizando o poder da manipulação. Se nos dermos ao trabalhos de ler as caixas de comentários dos jornais, em particular nas suas páginas oficiais no Facebook, teremos de lidar com o horror de ver o número elevado de portugueses favoráveis ao discurso de Bolsonaro, numa onda anti-vermelho, como se o perigo comunista pairasse no ar. Portanto, Portugal não é um paraíso democrático anti-fascista, é um país onde o fascismo está no armário, como estava no Brasil. O que falta é uma figura carismática e um grupo de interesses na sua eleição. Até lá estamos descansados, mas não podemos dormir, porque a democracia é frágil e precisa ser defendida a cada instante. 

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