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O Coletivo

17
Out18

Erradicar a pobreza

Rúben Gomes

 

A Rede Europeia Anti-Pobreza divulgou dados preocupantes relativamente à dignidade das condições de vida da população. Num país com uma população a perfazer 10 milhões de habitantes, 2 milhões são pobres, e desses, 1,1 milhões são empregados. 
É ululante que essa realidade está intimamente relacionada com o trabalho precário que marca a actualidade das relações laborais do nosso país. Falamos de pessoas de posições de vulnerabilidade, sem meios que lhes possibilitem sair dos ciclos onde estão envolvidas. Destarte, cabe ao Estado protegê-las e afiançar meios estruturais e, desse modo, mitigar estes números estatísticos que envergonham qualquer Estado democrático.
As discussões de teor económico nas quais nos envolvemos diariamente estão pejadas de dissensos, dependendo sobremaneira das ideologias políticas e percepções de vida de cada um. Contudo, convém ter presente a existência destas pessoas quando se fala em aumento do salário mínimo nacional, discrepâncias de rendimentos entre accionistas de empresas e empregados ou penalização de empresas que recorram a trabalho precário.
Políticos, fazedores de opinião pública, empresários e outros, ficam nervosinhos quando os partidos da geringonça gizam ideias e projectos que defendam os mais desfavorecidos, que coarctam o modelo neoliberal económico vigente, asseverando tratar-se de fascismo de esquerda, que os investidores se vão assustar e fugir daqui. Pois, se os ditos investimentos se se basearem no recurso a mão-de-obra de pessoas que mesmo trabalhando vivam sem dignidade, ao passo que os lucros das empresas ascendem a milhões de euros bem podem se dirigir para o aeroporto, para a estação de comboios ou para a autoestrada que aqui não são bem-vindos.
Feliz Dia Internacional da Erradicação da Pobreza!