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O Coletivo

17
Nov18

Desencorajamento à docência

Rúben Gomes

 

A edição de hoje do "Expresso" vem dar conta da ausência de desejo dos jovens portugueses em seguir a carreira de professor. Essa tendência está patente nos dados da Direcção-Geral do Ensino Superior que revelam que são menos os alunos que são colocados anualmente para cursos de formação de professores. Em 2016 eram 1105 alunos, baixando para 1093 no ano seguinte até que este ano o valor desceu vertiginosamente para 769 alunos. Os números são assim não porque os alunos concorrem e não são colocados, mas porque simplesmente não têm interesse em concorrer e engajarem-se na carreira.
Esta realidade coaduna com o estudo "Global Teacher Status Index 2018" que avalia o encorajamento dos pais para os filhos seguirem a profissão e o prestígio que a mesma reúne nos 35 países da amostra. Portugal é o 13°pior país relativamente ao estatuto que a classe goza, sendo que pior só mesmo em países como o Brasil ou Israel.
Na interrogação se os alunos respeitam os professores, mais de 60% dos inquiridos ou "discorda profundamente" ou "tende a discordar".
Dizer que são apenas os alunos que não respeitam os professores é injusto. O actual governo e o Partido Socialista em geral, a considerar pela ausência de propostas no Orçamento de Estado que vão ao encontro da contagem integral do tempo de serviço dos professores, também não os respeita. Falar que a reposição do tempo não é sustentável para os cofres do Estado é uma demagogia rasca que não engana ninguém. Seria perfeitamente sustentável se à semelhança da Região Autónoma da Madeira o pagamento fosse faseado, sendo efectuado até ao ano de 2025. Para as rendas das PPP's e para salvar bancos, cujos números são estratosfericamente superiores aos valores referentes à reposição do tempo de serviço dos professores, já há dinheiro.
É de lamentar pelos jovens vocacionados para a carreira de docente que acabam por desistir ao perceber o quão desrespeitada é a profissão em Portugal. Com o sector da educação negligenciado e os resultados repercutirem na formação dos jovens portugueses não auguro um bom futuro para as gerações vindouras da sociedade portuguesa. Não se admirem se aparecer um Bolsonaro, um Trump ou uma Le Pen. O caminho está aberto a isso.