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O Coletivo

06
Nov18

Chegou o "Polígrafo"

Flávio Gonçalves

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Ainda há dias desabafava no Twitter que hoje em dia a imprensa já nem cumpre com os cinco preceitos base do jornalismo de qualidade: Quem? O quê? Quando? Onde? Porquê? Preocupa-me a frequência cada vez maior de notícias alarmistas e de teor duvidoso na comunicação social portuguesa, e não me refiro apenas à dezena ou mais de portais de notícias falsas para os quais o Diário de Notícias já nos alertou, refiro-me mesmo àquelas que saem na imprensa dita "de referência". Pois bem, acabou de chegar ao mercado um novo jornal digital, o Polígrafo, que se assume como "o primeiro jornal português de fact-checking". Estou extremamente curioso, pela amostra que já li promete ser algo promissor e inovador ao efectuar uma tarefa que antes era obrigatória em todas as redacções, a de confirmar os factos por trás das notícias!

 

É que pessoalmente irritam-me "notícias" como a das diferenças de ordenado entre géneros em Portugal, só para mero exemplo de tema que até já foi abordado aqui neste blogue numa perspectiva correcta - caso se prove ser factual a dita notícia. É que caso julgue não ser necessário um jornal que publique factos, permita-me pedir que recorde o que afirmei no primeiro parágrafo: Quem? O quê? Quando? Onde? Porquê? O dito estudo divulgado na imprensa não menciona nem áreas geográficas nem as ditas carreiras onde ocorre a dita diferença de ordenados. São as mulheres e os homens da limpeza? São os bancários e as bancárias? Os professores e as professoras? Caixas de supermercado? Vigilantes? São os profissionais liberais (que na verdade nem deviam entrar nestas contas)? Quem? Onde?

 

Estes estudos atirados assim para o ar sem dados concretos com os quais as pessoas se identifiquem no mundo real, acumulados levam ao descrédito da imprensa e depois, PUM, olha um Bolsonaro eleito por milagre, mêdeus, como é que isto aconteceu? Portanto, o Polígrafo promete vir a dar que falar e espero vê-lo continuar a escrutinar muitas das "notícias" e afirmações erróneas que pululam um pouco por todo o lado na imprensa portuguesa, como constatamos logo numa primeira visita.

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