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O Coletivo

27
Jan19

A Ofensa

Orlando Figueiredo

Marcelo Rebelo de Sousa regressou triunfante da sua viagem ao Panamá trazendo a “boa nova” de que as Jornadas Mundiais da Juventude de 2022 serão em Lisboa. Dado que a viagem foi anunciada na página da presidência da República (ver aqui)  e que, hoje mesmo, foi emitido um comunicado onde se afirma que o Presidente da República se congratula “com anúncio oficial de que Portugal acolherá as próximas Jornadas Mundiais da Juventude” (ver aqui), devo necessariamente assumir o caráter institucional da situação e expressar veemente o meu repúdio.

Tivesse a viagem sido a título particular, e a única nota que me mereceria seria o lamento de ter como Presidente da República um beato que se curva perante o papa e lhe beija a mão. Tendo assumido tal comportamento em representação da República e dos portugueses, revela incompetência e desrespeito pelos cidadãos que não se reveem na fé proferida pelo presidente.

Mas Marcelo é um reincidente. Já em outubro de 2017, pela ocasião da visita do “revelado” representante de deus no mundo às miraculosas terras de Fátima, Marcelo Rebelo de Sousa humilhou Portugal e os portugueses ao curvar-se perante o papa e a igreja. Nessa altura, Marcelo afirmou, abusivamente, que "Fátima é projeção de Portugal no Mundo e do Mundo em Portugal". Triste seria, se assim o fosse. Felizmente há muitas outras coisas que Portugal e os portugueses podem usar como cartão de visita no mundo sem ter de recorrer ao odor a mofo das sacristias.

Que Marcelo opte, individualmente, por se deixar levar pelos bigotismos quiméricos do catolicismo, é a meu ver lamentável, como já tive oportunidade de referir. Mas apenas isso: lamentável.

Que, enquanto presidente da República, se curve e ajoelhe perante o clero de qualquer religião é desrespeitador do cargo que ocupa, de Portugal, dos portugueses e da Constituição que jurou defender. Marcelo não foi eleito ministro da igreja, mas presidente de uma República laica e religiosamente neutra como afirma a Constituição. Os portugueses, não são (apesar de, obviamente e infelizmente, os haver) um bando de beatos acríticos e não merecem tal ofensa.

Aprume-se, senhor presidente! Endireite a coluna vertebral e faça-se digno do cargo que ocupa e da Constituição que jurou defender!!

 

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