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O Coletivo

05
Nov18

Freddie como nunca o viu

Francisco Chaveiro Reis

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Depois de ler críticas que esmagavam o filme, fui ver Bohemian Rapsody com cautela e apreensão. Até aqui, tinha visto as fotografias de Malek como Mercury e tinha ficado espantado. Tinha visto o trailer, que ainda mais água na boca me fez. Não tirando o mérito do conhecimento aos críticos, a verdade é que gostei muito do biopic de Freddie Mercury e dos seus Queen e que me parece que Malek é um ótimo Mercury. Se tenho curiosidade de ver Sacha Baron Cohen na pele de Mercury? Sim. Se gostava de ver uma versão mais crua da vida dos Queen? Sim. Se a versão que temos disponível falha redondamente? Não. Bohemian Rapsody é uma homenagem a Mercury, conta uma história da grandeza dos Queen e de como os outros três elementos não eram apenas ornamentais e fá-lo de forma subtil, não esfregando o consumo de droga ou as orgias na nossa cara, sendo quase um filme de família sobre uma das bandas da primeira divisão do Olimpo do rock. E isso não tem mal algum.

 

Rami Malek mostra-nos um Freddie Mercury ainda à procura da sua identidade mas com a certeza de que era diferente e dono de um talento vocal único. Adolescente, conhece Brian May (Gwilym Lee) e Roger Taylor (Bem Hardy) e com a inclusão de John Deacon (Joseph Mazzello, o “puto” do primeiro Jurassic Park) acabam por nascer os Queen. É já como artistas reconhecidos que o filme nos mostra um dos segmentos mais interessantes do filme, quando nasce, numa quinta remota, o álbum/obra-prima A Night at the Opera. A cumplicidade, o génio e os métodos pouco ortodoxos são um mimo para os fãs de música. O fim, com a atuação de uma vida num Wembley repleto por altura do Live Aids de 1985 é outro ponto alto, pela mística e pela reconstituição perfeita do mítico estádio. Pelo meio, Freddie, o homem. O homem que se quer distanciar da família que não o entende; que se apaixona e casa com uma mulher e vai percebendo que tem outra preferência; o homem de excessos sexuais, narcóticos e alcoólicos e o homem à beira do fim que quer deixar a sua marca. Que me perdoem aqueles que sabem que a música A não foi composta naquele ano ou que Freddie não tinha bigode no concerto B mas eu gostei. Muito.

04
Nov18

Sustos do passado - A Maldição de Hill House

Francisco Chaveiro Reis

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A maldição de Hill House é uma das melhores séries dos últimos anos. Para isso contribui o que é da praxe: uma boa história central que nos deixa agarrados, pequenas histórias adjacentes que fazem as personagens crescer, um criador e realizador de mão cheia e um elenco de grande qualidade. A maldição de Hill House é uma das melhores séries dos últimos anos. E é-o num género que eu nem aprecio. O terror. Mas o bom terror é mais sobre a expectativa do que aquela ansiedade básica que nos faz saltar de x em x minutos. Confesso que não gosto. Em Hill House não faltam fantasmas nem sustos ocasionais mas o que nos interessa é a forma como os pontos se ligam entre o passado e o presente. No presente, mais ou menos em 2018, acompanhamos uma família destruída por um acontecimento do passado. Percebemos que há cinco irmãos sem mãe e com um pai distante. Os cinco incluem Steve (Michiel Huisman), um bem-sucedido autor de livros de terror, mesmo sendo cético quanto ao tema; Shirley (Elizabeth Reaser), dona de uma casa mortuária e parte integrante de uma família própria que parece feliz; Theo (Kate Siegel), a irmã do meio que tem sensibilidade para os mortos e os gémeos Luke (Oliver Jackson-Cohen), drogado e Nell (Victoria Pedretti), atormentada. No passado, há quase 30 anos, a mesma família mas com mãe, pai ausente e cinco filhos felizes, chegou a uma mansão vitoriana no campo norte-americano. A ideia da mãe e do pai era fazer como noutras casas velhas e restaura-la para a vender por boa massa. Depois disso, poderiam viver numa “forever house”. Não chega a acontecer. Com saltos ao presente, percebemos que a vida não correu como esperado a ninguém e que aquele verão maldito terá sido a causa de tudo. Os saltos ao passado mostram fantasmas e estranhos acontecimentos que culminam numa noite em que a mãe desaparece e o pai aparece ensanguentado. O que se passou? É a pergunta que perseguimos.