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O Coletivo

05
Jan19

A pouca Begonha da JS

João Ferreira Dias

À falta de outra opção, Maria Begonha foi eleita líder da Juventude Socialista (JS). Ora, sabendo que as chamadas "jotas" dos vários partidos funcionam como programa de estágio e formação para futuros políticos de carreira, cai muito mal ao maior partido do centro-esquerda ter a sua juventude liderada por alguém que viu o seu nome envolvido em escândalos como de falso título de mestre, com avenças atribuídas por ajuste direto em autarquias socialistas de cerca de 140 mil euros em quatro anos. As suspeitas foram até ao uso de meios públicos por apoiantes da sua candidatura, numa história que envolve o transporte de militantes num minibus de uma junta de freguesia presidida pelo PS. Os contornos são demasiadamente "cabeludos" para não terem sido objeto de profundo escrutínio. De suspeitas em suspeitas, de aprendizado e sobrevivência de jogos de poder e de corredor político, vão-se construindo os deputados e ministros de amanhã. 

Convém lembrar que a sensação de impunidade e recusa de escrutínio que marca a vida política passim tem estado na origem da adesão popular aos movimentos de extrema-direita, atrelada à narrativa de que os políticos dos partidos tradicionais são todos corruptos. Não é com casos como este que esta disposição popular é invertida. Lamentável. 

19
Dez18

Crer no quê?

Wesley Correia

Médium João de Deus, detido por denúncias de estupro.png

A fé e o universo de possibilidades que ela mobiliza em termos espirituais constituem recurso potente no enfrentamento da doença, seja em níveis emocionais, existenciais ou físicos. Aqui, fé está sendo considerada em seu sentido mais amplo e profundo de modo a desvincular-se da ideia de religiosidade enquanto instância histórica. Muito embora nos custe fazer tal distinção, tanto por força do imaginário religioso e cultural a nos envolver quanto pelo fato de as religiões terem assumido, em muitos momentos, a pauta das patologias, uma melhor compreensão didática do fenômeno exigirá essa capacidade de pensá-las – a fé e a religião – como elementos distintos, que não estabelecem, necessariamente, relação de interdependência. A princípio, importa saber o que há na fé, do ponto de vista constitutivo, que a torna capaz de estruturar o sujeito, de organizá-lo e de promover nele uma cura radical, como se na realização mínima da fé ali também algum nível de cura começasse a operar, como se fé e cura constituíssem uma unidade poderosa e monumental, somente possível pela força do Desejo. Nesse sentido, pode-se admitir que uma pessoa acometida pelo câncer, por exemplo, alguém verdadeiramente crente na cura do seu carcinoma, mas que veio a óbito em razão da doença, morreu curado, pois a enfermidade, neste caso, passa a ter papel secundário, perdendo cena para a decisiva reconfiguração subjetiva que a base triangular (FÉ – DESEJO – CURA) pode legar ao indivíduo, gerando o fenômeno que classificaremos como ganho positivo originário do adoecer. Por outro lado, não se deve tratar a questão unilateralmente, considerando-se apenas a fé endógena, uma vez que comporta muitas variáveis. Sobre isso, há casos interessantes. Lembro especialmente de um, narrado por minha esposa que é psicóloga hospitalar e atua em Paliação; trata-se do caso de um grupo de pacientes que participou de uma experiência num determinado hospital: o grupo foi dividido em dois e, sem que soubessem, um deles recebia orações diárias; ao final de três meses, esse grupo apresentou visível avanço no quadro clínico em relação ao grupo placebo. O resultado dessa pesquisa nos ajuda a pensar na ligação entre processo curativo e desejo externo no sentido de considerar a existência de mecanismos externos capazes de realizar uma espécie de cura compulsória. Em perspectiva religiosa, a cura pela fé encontra equivalências e o milagre, popularizado pelo cristianismo, é um exemplo disso, a despeito de o próprio Cristo ter realizado, segundo consta nos evangelhos do novo testamento, uma quantidade bem pontual de milagres. O fato é que muitos líderes religiosos, ao se proclamarem como canal de manifestação do poder sobrenatural, acabam por se tornar um análogo divino; se usarem de sedução para manipular os que recorrem à sua força – e  que o fazem, não raro, no calor do desespero – podem criar terríveis armadilhas aos que nele creem. Desde a última semana, temos acompanhando com perplexidade o caso do médium brasileiro João de Deus, internacionalmente conhecido por seus supostos atendimentos espirituais, sobre o qual pesam, até o presente momento, mais de 500 denúncias de assédio sexual feitas por mulheres, não só no Brasil, mas também em outros países. Fico enjoado só de pensar que alguém seja capaz de aproveitar do estado de vulnerabilidade psicofísica das pessoas para satisfazer suas perversões. Entretanto, devo dizer que a gravíssima ocorrência não me causa estranhamento porque está em questão a natureza corruptível do homem mediante a vaidade. Em minha busca por auto-compreensão, no tempo em que eu perseguia a cura sem inferir que era justamente a presença dos sintomas que me diziam que eu estava vivo e que era preciso seguir, me deparei com doutrinas e práticas religiosas muito diversas: dos kardecistas aos mórmons, dos adventistas aos católicos, dos neopentecostais aos testemunhas de jeová, dos islamitas aos xamãs, dos budistas aos de Axé, e em todas elas senti algo substancialmente positivo, um princípio de altruísmo sem proselitismos ou maniqueísmos vazios, um princípio de empatia, de garantia da dignidade a todo ser vivente, razão pela qual chamo atenção para o perigo de que os crimes de determinados sacerdotes recaiam sobre sua religião, qualquer que seja ela. Nesta minha errância mística, testemunhei fatos impressionantes que, muitas vezes, fizeram fraquejar minha inclinação racionalista, esse hábito que tenho de pensar sobre tudo e de sempre fazer associações de conteúdo a partir de esquemas mentais. Respeito, também, a negação da religião, que deve exigir a mesma disposição para a crença que têm os religiosos e, de igual modo, respeito a descrença (se for possível tê-la, do que tenho cá minhas dúvidas) em qualquer dimensão para além da material. Meu psiquiatra diz que seu deus é a ciência e um aluno, outro dia, me revelou que era ateu. Eu quis saber a que ele recorria em momentos de maior necessidade, quando a realidade concreta parece não ser capaz de nos dar as respostas que procuramos e, prontamente, ele me respondeu que meditava. Para mim, tanto o psiquiatra quanto o aluno realizam, cada qual à sua maneira, uma profissão de fé, porquanto não deixam de projetar ou transcender em relação aos recursos pelos quais optaram. O fato é que, hoje, procuro exercitar a fé a partir da crença em uma divindade que me habita muito particular e intimamente, que me conforma em tudo porque só no meu sagrado mais guardado é que pode se manifestar. Ou seja, o poder dessa divindade pessoal e idiossincrática vem do fato de ela ter nascido do que fui, do que sou e do que serei. Energia suprema que nasce de mim e para mim, que me espelha na medida que eu a reflito e confronto: carbono primordial. Por hora, minha intuição diz que seremos tudo aquilo que desejarmos.

18
Dez18

A greve dos enfermeiros e os sindicatos

João Ferreira Dias

As greves constituem-se mecanismos legais (agora, e por agora) de garante da luta sindical por melhores condições laborais por parte de vários setores profissionais. É uma ferramenta político-social de largo impacto no quotidiano, em particular quando a greve advém de setores que interferem, diretamente, no fluxo diário da sociedade, como é o caso dos transportes públicos. A sua eficácia depende, precisamente, do poder de desestabilizar a ordem social. 

Ora, o problema das greves, ou melhor, dos sindicatos, é a forma como estes estão permeáveis à influência partidária. Nesse capítulo, o PCP é o partido cuja força eleitoral depende, sobremaneira, dos movimentos sindicais. Não é por acaso que a estrutura destes é controlada por militantes comunistas, os quais estabelecem um rácio de não-militantes que podem ocupar cargos diretivos dos sindicatos. Não sendo uma desonestidade, por razões históricas ligadas à emergência do PCP, a verdade é que se trata de um controlo sobre os sindicatos que lhes retira mobilidade ideológica. É por isso que as greves ocorrem em momentos estratégicos para a vida eleitoral, porque são o garante da existência sociológica do PCP, razão pela qual a aliança Sindicatos-PCP é tão forte e determinante na vida comum. 

A presente greve dos enfermeiros contém os mesmos contornos, tratando-se da primeira greve e primeiro movimento sindical umbiligado à direita, concretamente ao PSD. Ora, só esse facto diz muito do contexto desta greve, numa altura em que a maioria das reivindicações dos enfermeiros portugueses (que, reconheça-se, têm condições laborais muito precárias quando comparados com outros países europeus; todavia, o mesmo acontece com outras profissões) foram já suprimidas. Nesse sentido, encontramos um processo de aproveitamento estratégico e eleitoral do PSD, que ao estar em risco de desagregação encontra nos processos de sobrevivência do PCP uma possibilidade de galvanização de uma franja profissional e eleitoral.  A situação particular dos enfermeiros e a névoa dúbia que comporta é reforçada pelo financiamento. Pela primeira vez, uma greve é financiada em sistema de crowdfunding, tornando-se um processo anónimo que permite camuflar interesses políticos subjacentes. O cenário, portanto, não é transparente nem simpático. No meio da legitima luta seria ideal despartidarizar os sindicatos. Digo eu. 

17
Dez18

Ventura e o Chega

A woman in politics

André Ventura deu uma grande entrevista ao Sol. Fala da “infância pobre, da relação com Deus, dos ciganos, do aborto, da homossexualidade e do seu novo partido”.

Li a entrevista e tenho seguido as suas movimentações. A quem considera Ventura uma piada, até pode estar certo, mas penso que é melhor não ser tão precipitado.

Para além de ser uma figura “nova” na política nacional, convém não esquecer do espaço mediático que tem na CMTV, que até é o canal mais visto no cabo e que até é o canal que mais alcança o eleitorado potencial de Ventura.

Para além disso, saiu a sondagem da Aximage relativa ao mês de dezembro. Dos resultados, destaca-se que o PS e o PSD estão em queda na intenção de voto legislativo e que a opção de voto estaria a crescer nos extremos. Na mesma sondagem foi questionado aos inquiridos se estariam dispostos a mudar o sentido de voto para um novo partido que falasse contra imigrantes ilegais e contra a corrupção. A essa questão, cerca de 27% dos inquiridos responderam que sim, de certeza, ou talvez.

E que partido seria esse? Pois.

14
Dez18

A Linguagem Amiga dos Animais

João Ferreira Dias

Vivemos um tempo de extremismos e pequenas causas identitárias, resultantes de bolhas  construídas por nichos sociais onde a realidade é fragmentada e, por essa razão, as suas causas são hiperbolizadas. As causas humanitárias estruturais e fraturantes são secundarizadas, vista de dentro da bolha confortável e causídica. Prova disso é a forma como o legítimo combate pelos direitos dos animais deslizou para lutas de natureza patética, como a proposta da PETA, embandeirada pelo PAN, de alteração de expressões idiomáticas e outras formas de vocábulos populares, como "pegar o touro pelos cornos", que deveria passar a "pegar a rosa pelos espinhos". O problema desta proposta é que desvaloriza o sentido cultural e o peso das expressões. A metáfora de coragem e empenho que remete para o pegar de um touro pelos chifres é bem distinta da imagem de apanhar uma flor pelos espinhos. Em segundo lugar, o peso jurídico das palavras deve ser medido. Se uma tourada coloca em questão a integridade física dos animais em favor de um espetáculo, o uso de expressões na linguagem corrente não infere na vida animal. Qualquer humorista dirá que chamar vaca a uma vaca não o ofende, não como o faria no caso de uma mulher. Porque as palavras têm um peso e uma utilidade social. E não, não é pelo uso das expressões que se descarrila para a prática dos atos, porque eu não conheço ninguém que use a expressão "pegar o touro pelos cornos" que tenha, alguma vez, participado de uma tourada, ou que use, por exemplo, "matar dois coelhos de uma cajadada" que sequer tenha um cajado ou até visto um coelho ao vivo. 

14
Dez18

A verdade sobre o caso Canastrão Quebert

Francisco Chaveiro Reis

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Nunca seria fácil adaptar ao ecrã (pequeno, no caso), o brilhante “A verdade sobre o caso Harry Quebert” do suíço Joel Dicker. Trata-se da história de amor de um escritor de sucesso e de uma jovem de 15 anos que acaba desaparecida. O seu corpo é encontrado na propriedade do amante muitos anos depois e este é acusado de homicídio. É nesta altura que o seu protegido e também escritor de sucesso, Marcus Goldman, vai em seu auxílio, tentando provar a inocência de Harry Quebert.

Em série a ser exibida na AMC, Patrick Dempsey, eterno Senhor Anatomia de Grey, faz de Harry, sem grande sucesso. Se na juventude, exibe o seu habitual canastrismo e olhar perdido, na velhice, quando está preso, a nossa atenção vai apenas para a má caraterização. Dempsey não está à altura de Quebert, que transforma num galã de meia tijela que não faz jus à personagem complexa que se deixa tentar por uma Lolita de bom fundo. Essa Lolita, a norueguesa Kristine Froseth, parece ser das poucas a prestar homenagem a Dicker, apresentando-se com a luz própria e personalidade vivaça mas atormentada que se atribui a Nola.

Pior do que Quebert, só Ben Schnetzer como Marcus Goldman. Como se escreve e bem na NiT, a sua apresentação ao público é superficial, cheia de clichés e “a narração em voz off faz lembrar um telefilme de qualidade duvidosa dos anos 90”. Schnetzer consegue ser mais canastrão do que Dempsey e assim se estragam duas personagens centrais e uma série. Ainda assim, para quem não sabe o final, a série merece uma espreitadela porque, lá está, a história é boa mas não merecia estas interpretações ou esta cor-de-rosização da vila onde tem lugar. Nunca seria fácil.

 

12
Dez18

Um Natal no Iémen

Francisco Chaveiro Reis
12
Dez18

O amante de Bolsonaro

Wesley Correia

O ator Marcio Garcia beija Jair Bolsonaro.jpg

 

O amante – condição, a princípio, de quem ama – e a amante de Bolsonaro buscavam, desde algum tempo, quem lhes pudesse dar voz ao pensamento tosco, ao espírito pusilânime e à moral rasa. Tentaram, primeiro, eleger como presidente o Aécio Neves, que está na iminência de ser preso novamente, desta vez por receber R$110 milhões de propina do grupo J&F. Foram derrotados nas eleições de 2014, mas jamais aceitaram o resultado, o que culminou no golpe político-midiático-judiciário que destituiu Dilma Rousseff da presidência da república em 2016 e fragilizou a jovem democracia brasileira. Com o neto do Tancredo Neves chafurdado no lamaçal da corrupção, os amantes de Bolsonaro transferiram o clamor para o desequilibrado capitão reformado do exército (conhecido pelas barbaridades que proferiu ao longo de mais de duas décadas de vida pública), porque nele encontraram a personificação do conjunto dos seus sentimentos mais caros, a saber: ódio racial, anticlassismo, misoginia, intolerância, violências e preconceitos de toda ordem. Agora, com os recentes escândalos de corrupção envolvendo a assessoria da família do presidente eleito, os amantes de Bolsonaro imploram para que se tenha cautela (nem parecem os raivosos que até ontem não admitiam o menor desvio de comportamento) até a assunção do “Mito”. Tal postura evidencia a lógica de que nunca se indignaram, esses amantes, com a roubalheira endógena na política brasileira, o que os indignou, de fato, foi a implementação/consolidação de políticas efetivas voltadas à mobilidade sócio-econônica das classes populares, entre os anos de 2003 e 2016. Jamais a elite brasileira decadente, filha de escravagistas e latifundiários tão bem treinados na arte de explorar, poderia aceitar, por exemplo, a regulamentação dos direitos das empregadas domésticas, signo de maior equivalência com o trabalho escravo ou a expansão da Rede Federal de Ensino, que democratizou o acesso à formação em níveis técnicos e superior no interior do país; o amante de Bolsonaro odeia o Bolsa Família por acreditar que o auxílio torna os pobres preguiçosos, entretanto nunca lhe causou espécie a assimétrica distribuição de renda no Brasil, com os milhares de miseráveis famintos a mendigar nas megalópoles ou morrendo à mingua nas zonas agrárias, nem se interessam pelo que significa a estagnação do país na 79º posição de IDH, no ranking 2018, da ONU. Ele, o amante, muito deslumbrado com seu amado disposto a matar para salvaguardar os privilégios de sua classe, não se interessa pela interpretação da dimensão histórica dos fatos e, se mostra algum interesse, é para deturpá-la, defendendo que não houve colonização ou ditadura militar no Brasil e assim seguem proferindo um sem número de leviandades. À amante de Bolsonaro, pouco importa se o programa Mais Médicos deu alguma sobrevida às populações habitantes em áreas de difícil acesso e que, por essa razão, foram condenadas a amargar o abandono do estado e a total indiferença dos deuses da clínica; o que importa à amante é que o Brasil não vire uma Cuba, nem uma Venezuela, que sua bandeira auriverde não se torne vermelha, que seu país – onde não há racismo – possa, enfim, vencer o comunismo do PT de Lula. Os amantes de Bolsonaro alegam que as críticas ao futuro presidente é recalque, puro boicote à governabilidade, e endossam a aplicação de um liberalismo nocivo e entreguista da nação às economias mais poderosas do globo. Não se preocupam com o agravamento da crise que essa condução econômica descabida pode gerar, mas gozam ao ver os generais fardados abocanhando os ministérios e parecem entusiastas da ministra dos Direitos Humanos e pastora neopentecostal, Damares Alves, cuja grande aposta será a aprovação de uma emenda que já anda a ser chamada de “Bolsa Estupro”, ou seja, uma mulher violada que não abortar o filho gerado durante a violação, receberá do governo um salário mínimo até que o rebento complete 18 anos. Certamente, para a pastora-ministra e para as pessoas que a seguem, parir o filho do estupro é a vontade de Deus... o crime e o trauma que se impõem a vítima não merecem atenção. Os amantes de Bolsonaro, tanto quanto ele próprio, mereciam o cargo vitalício de gestão da desfaçatez.

11
Dez18

O Brexit do Brexit?

A woman in politics

A votação do acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia foi adiada por Theresa May. Porquê? Porque se sabia que o acordo ia ser rejeitado pelo Parlamento e assim ganha-se tempo...

Mas tempo para quê? Nem a Primeira-Ministra sabe muito bem...

Juncker e Merkel rejeitam a possibilidade de renegociar o acordo para o Brexit. Logo se o acordo se mantém igual, porque iria o Parlamento Britânico votar diferente?

O Tribunal de Justiça da União Europeia avança que o Reino Unido pode cancelar o Brexit sem a consulta e permissão dos 27 estados-membros da UE.

Estão a ver o caminho?

Eu já começo a ver.