Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Coletivo

06
Jul19

Da liberdade...

Flávio Gonçalves

Uma rápida pesquisa demonstrará a minha antipatia por José Manuel Coelho (o mesmo provavelmente até me poderia processar por difamação), mesmo assim custa-me digerir que por difamação e desobediência se cumpram três anos e meio de pena efectiva. Soa mais a Estado Novo que a 25 de Abril, perdoem a ousadia os juízes nestas lusas terras. Temos todos cada vez mais que ponderar e autocensurar tudo o que afirmamos e escrevemos.

02
Jul19

Xenofobia jornalística?

Flávio Gonçalves

Sputnik e RT: financiados pelo governo da Rússia, conclusão: nada fiáveis. RTP: financiada pelo governo de Portugal, conclusão: plenamente fiável. Público: financiado em parte pelo governo dos EUA (via FLAD) e por um empresário, conclusão: plenamente fiável. Não há um certo preceito xenófobo na apreciação que alguns políticos e jornalistas fazem quanto às suas fontes jornalísticas? Nem o Pravda.ru escapa, e somos privados, não recebemos um cêntimo do governo russo mas "é russo", logo não é de fiar, logo é um preceito xenófobo... digo eu.

11
Jun19

Os ISBN cinco anos depois

Flávio Gonçalves

Esta era uma das medidas que sempre esperei ansiosamente que o Ministério da Cultura de um governo socialista revertesse, regressando os ISBN gratuitos como medida de apoio à cultura em vez de financiarmos directamente a APEL, tornando-nos sócios se aceites como tal, ou indirectamente, comprando os ISBN à APEL, pagando quantias a meu ver absurdas para pequenos editores. A APEL neste caso tem funcionado como uma agência nacional de ISBN, que noutros países avançados é - tal como o registo ISSN e o Depósito Legal - um serviço público garantido pelo Estado. Pode ser que na próxima legislatura os poucos editores independentes não sócios da APEL (se é que existe ainda algum) se organizem e alertem o governo para este pormenor.

11
Jun19

O discurso de João Miguel Tavares

João Ferreira Dias

O cinismo que JMT levanta no seu discurso, enquanto património de uma ideia de racionalidade, está bem patente nas críticas que lhe são dirigidas. Temos este terrível hábito de criticar como ato de afirmação de superioridade intelectual. É preciso perceber que JMT tinha esta oportunidade única de discursar num 10 de Junho, que era preciso ser crítico, que era preciso, também, ter algo de emocional e arrebatador. JMT não foi populista, no meu entender. JMT tentou ter o seu momento Braveheart de exaltação do cidadão anónimo enquanto exortava os políticos a serem melhores. Terá agradado a uns e desagradado a outros. É natural. Mas não creio que tenha proferido um discurso exclusivamente a partir de um lugar de conforto da classe média sem olhar aos demais.

08
Jun19

Suu Kyi, de bestial a besta

Flávio Gonçalves

Recordo as críticas que recebi quando opinei que Aung San Suu Kyi seria uma opção pior para Myanmar (antiga Birmânia) do que a Junta Militar. Só me acreditaram aquando do genocídio dos rohingya, não fosse por isso talvez me acreditassem hoje aquando do encontro desta com Viktor Orban. Entretanto veio a público que representantes do governo desta se encontram em Israel com a intenção de comprar armamento, em violação das sanções internacionais actualmente em vigor. Agora, quanto ao Guaidó...

06
Jun19

As leis da memória em Espanha e o Vox

Flávio Gonçalves

O Supremo espanhol travou a exumação de Franco, o disparate que fez espoletar o sucesso de Vox. Infelizmente o mal já está feito, veremos se pelo menos serve de vacina aos restantes partidos socialistas europeus. Infelizmente o Podemos aparenta querer insistir no disparate das "leis da memória", sem conseguir reconhecer que foram precisamente disparates ideologicamente histéricos como esses que fizeram surgir em Espanha o Vox. 

É por isto que são necessários os votos no centro-esquerda, único travão dos extremistos tanto à esquerda como à Direita. Não sei em que medida todo este histerismo politicamente correcto da extrema-esquerda espanhola não advém do trauma de Franco lhes ter entregue a democracia de bandeja. Cá em Portugal foi necessária uma revolução, será esse o trauma? A ditadura dei-lhes a democracia e isso chateia?

05
Jun19

A cegueira da "frente única" do centrão europeu

Flávio Gonçalves

A extrema-direita na Suécia irá integrar o executivo de 5 municípios suecos em coligação pós-eleitoral com partidos do Partido Popular Europeu. Falem-me novamente dessa frente única com a direita contra o "fascismo" em vez de governar à esquerda sem nos confundirem com liberais...

O Paulo Rangel foi reeleito vice-presidente do Partido Popular Europeu com os votos da extrema-direita húngara, reintegrada no PPE logo após as eleições quando supostamente estaria suspensa por seis higiénicos meses. Falem-me novamente dessa frente única com a direita contra o "fascismo" em vez de governar à esquerda sem nos confundirem com liberais...

05
Jun19

O lúcido José Miguel Júdice

Flávio Gonçalves

Tenho forçosamente que admitir uma certa estima intelectual e moral para com José Miguel Júdice, as vicissitudes da vida fizeram-nos percorrer uma via que nos trouxe a ambos ao Partido Socialista e até segui o seu exemplo de escrever uma carta aberta nas páginas do O Diabo, jornal por onde ambos passamos, a despedir-me dos camaradas com cujo ideário há muito já não me identificava (pese embora a diferença geracional, militamos ambos em organizações juvenis da direita até a consciência da maturidade nos guiar para o progressismo centrista da esquerda).

É por isso que me agrada a sua lucidez ao constatar um facto quanto à direita portuguesa no seu conjunto, em Portugal "a direita não sabe fazer combate político", do mais centrista PSD ao mais extremista PNR ou Chega! é uma verdade inegável. Os estrategas direitistas lusos, no seu conjunto - salvo algumas excepções intelectuais - "são atrasados mentais nessas matérias" e esse, entre outros factores, contribui para a inexistência da extrema-direita no Parlamento nacional (outro factor mais descurado é o facto dos militantes da direita radical portuguesa na prática já se encontrarem confortavelmente instalados no aparelho e no funcionalismo público afecto ao PSD e ao CDS). Esteve bem José Miguel Júdice, que por vezes ainda resvala demasiado para mera ala esquerda do centro-direita liberal nas suas análises televisivas... ossos do ofício, suponho.

02
Jun19

Eleições: dois desejos e uma sugestão

Flávio Gonçalves

Tenho um desejo utópico para as próximas eleições, que a imprensa e televisões escrutinem e nos expliquem os programas eleitorais dos partidos, que os cidadãos sejam finalmente elucidados quanto ao poder e repercussão do seu voto, que os jornalistas dos jornais, revistas e televisões informem os eleitores em vez de especular com um populismo que cá não pega.

Tenho um desejo distópico para as próximas eleições, e já o tenho defendido ao longo dos anos em vários artigos de opinião tanto na imprensa açoriana como portuguesa: torne-se o voto obrigatório e penalize-se quem não vá votar com uma multa simbólica de 20€, se querem protestar o regime que votem nulo ou em branco, se lhes é indiferente que paguem o preço dessa indiferença uma vez que ao longo de séculos muitos morreram pelo seu direito a votar.

Tenho uma sugestão democrática para as próximas eleições, atribuir meio dia de folga sem perda de rendimentos a todo o cidadão que vá votar. Um incentivo realista e democrático, mais que esperar que os jornalistas façam o seu trabalho ou que o governo torne o voto em obrigatório. É uma alteração legislativa simples, embora descreia que o meu partido (PS) e o outro (PSD) a apliquem dado o risco que esse novo eleitorado poderá constituir a votar em massa em pequenos partidos extraparlamentares e a irritação que pagar meio dia e subsídio de almoço aos trabalhadores constituirá para o patronato luso, cuja mentalidade esclavagista rivaliza mesmo com a dos empresários dos EUA.

02
Jun19

Rescaldo eleitoral

Flávio Gonçalves

É em semanas como estas que tenho pena de já não estar numa redacção a reportar, indagar, entrevistar e a explicar o mundo e a Europa aos leitores e eleitores... curiosamente parece que a maior parte das pessoas que está efectivamente numa redacção mainstream não tem essa vontade... as eleições em Portugal fazem-me pensar cada vez mais na letra de "A Gente Não Lê" (sublime na voz de Isabel Silvestre): "e do resto entender mal, soletrar assinar em cruz, não ver os vultos furtivos, que nos tramam por trás da luz".